
“Tinha dois anos que a gente estava vivendo em paz. Agora isso vai virar uma zona de guerra de novo”. A afirmação é de Sandro Rosa, 38 anos, líder comunitário de Alto Itararé, Vitória, região onde o adolescente Wederson de Souza Pereira, 16 anos, morava.
“A polícia assassinou uma pessoa inocente, que cresceu aqui no bairro. A população ficou revoltada e veio protestar”, destacou.
O líder comunitário acredita que, mesmo se o adolescente tivesse feito algo de errado, a morte dele não seria justificada. “Poderiam ter atirado na perna dele, não precisavam matar. Eu quero justiça porque é mais um negro da periferia que morreu a troco de nada.”
Ele ainda afirmou que tem medo do que possa acontecer na região. “A gente estava na paz aqui, mas agora não sei mais como vai ser e estou com medo”.

Segundo moradores, a Polícia Militar agiu com truculência durante o protesto, atirando bala de borracha, usando spray de pimenta e bomba de gás lacrimogêneo. Foi dito que, no confronto, duas crianças que saíam de uma creche teriam sido feridas com bala de borracha, o que não foi confirmado pela polícia.
Entre as pessoas que protestavam contra a morte do adolescente, estavam criminosos, que se aproveitaram da situação para cometer atos de vandalismo pelas ruas. “Infelizmente não tinha só morador de bem participando, tinha todo tipo de pessoa. O protesto começou de forma pacífica, mas tomou outros rumos”, afirmou um comerciante da região.

COMERCIANTES COM MEDO
Não são só os moradores da região do Bairro da Penha que estão com medo. Comerciantes da avenida Leitão da Silva, onde nessa terça-feira (25) houve depredações e um carro foi incendiado, temem novos protestos violentos.
Logistas que pediram para não serem identificados afirmam que receberam a informação de que após o enterro do adolescente morto, moradores da região voltarão à Leitão da Silva para protestar.