
Ela nasceu em Guaçuí, Sul do Estado, e sua fama está percorrendo o mundo. Condenada por tráfico internacional de pessoas, a capixaba Vilma Cristina de Oliveira, 42, entrou na lista dos bandidos mais procurados pela Polícia Internacional, a Interpol. Por causa dela e seus cúmplices, centenas de mulheres de todo o Brasil deixaram o País com a proposta de ganhar muito dinheiro e mudar de vida, mas foram feitas escravas sexuais em boates espanholas, segundo a polícia.
Segundo a Polícia Federal, ela fazia parte do grupo criminoso conhecido como Rede Cacique, desde 1999. Vilma também está na lista dos 10 mais procurados do País. A base da organização funcionava no estado de Goiás, de onde partiram as investigações. Suas ramificações, através dos aliciadores, chegaram a atingir o Rio de Janeiro,
São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Espírito Santo. “Vilma era proprietária de várias casas noturnas, na Espanha, onde as brasileiras ficavam. Não tinha contato direto com as vítimas, mas era uma das cabeças da organização. Vivia a maior parte do tempo na Europa, mas tinha seus braços pelo Brasil”, disse o delegado da Polícia Federal de Anápolis (GO), Luciano Ferreira Dornelas Faipher.
A polícia informou que mais de 100 mulheres caíram no golpe e foram submetidas às condições deploráveis. Algumas receberam a proposta para trabalhar como prostitutas, outras foram levadas a acreditar que trabalhariam em outra função. Mas na verdade todas tiveram de se sujeitar à exploração sexual, e só tinham alforria quando quitavam suas despesas. “As condições eram péssimas. Chegavam à Espanha, tinham os passaportes apreendidos e eram levadas a um alojamento conjunto. Em alguns casos passavam fome, recebiam por cada cliente e faziam oito programas no mesmo lençol”.
Em 2008, 11 pessoas envolvidas na rede de prostituição foram condenadas. Porém, desde as investigações, o paradeiro de Vilma é um mistério. Já houve relatos de que ainda estaria na Espanha ou Alemanha, mas sem confirmação.
A reportagem entrou em contato com um dos advogados de Vilma, mas ele alegou que perdeu o contato com ela. O pai e a mãe dela tinham endereço registrado em Cariacica, porém vizinhos disseram que, em mais de 30 anos na região, jamais tiveram contato com Vilma ou com os pais dela.
Jéssica Cardoso
Confira a reportagem especial completa no Jornal A Tribuna desta segunda