A cidade de Vitória ganha, proporcionalmente, das três outras capitais do Sudeste brasileiro quando o assunto é famílias endividadas.
Pesquisa da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), feita somente nas capitais brasileiras, mostrou que, em junho deste ano, 67% das famílias de Vitória — de um total de 119.957 — tinham dívidas; enquanto no Rio de Janeiro (RJ), essa proporção é de 58%; na capital paulista (SP), 49%; e em Belo Horizonte (MG), 38%.
Entre 2013 e o primeiro semestre deste ano, segundo a pesquisa Radiografia do Crédito e do Endividamento das Famílias Brasileiras, Vitória ocupou o topo do ranking de famílias endividadas no Sudeste em três oportunidades. Apenas em 2015, a capital capixaba foi superada pelo Rio de Janeiro, que alcançou 67%.
Apesar da liderança, Vitória vinha de uma trajetória de quedas na proporção de famílias endividadas até o ano passado: registrou 75% em 2013; 73% em 2014 e 65% em 2015. O índice na capital capixaba voltou a crescer em junho deste ano, quando chegou a 67%.
Outro dado preocupante para a cidade, como apontou o economista da Fecomércio-SP, Altamiro Carvalho, é que aumentou em oito pontos percentuais a parcela da renda das famílias comprometida com dívidas em Vitória.
Passou de 22% em dezembro de 2015 para 30% em junho deste ano. Completam a lista: Belo Horizonte e Rio de Janeiro, ambas com 31%; e São Paulo, com 29%.
“O comprometimento da renda em Vitória está em 30%, dentro do padrão, mas houve um aumento considerável, pois esse índice estava em 22% em dezembro de 2015”, observou o pesquisador.
O economista Celso Bissoli, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), acredita que muitas dessas dívidas das famílias têm relação com compromissos de longo prazo, como a compra do automóvel ou da casa própria. “É um endividamento de longo prazo, que vai demorar mais a ser sanado”, avaliou.
Outro vilão, para a educadora financeira da consultoria Dsop, Lorena Milaneze, é o cartão de crédito. “Ele impacta todo mês no orçamento de forma descontínua, o consumidor não consegue separar um valor certo para pagar a conta, o que o leva ao descontrole”.
A reportagem completa sobre essa pesquisa você confere na edição desta segunda-feira (17) de A Tribuna.
Reportagem: Dayane Freitas