Nesta segunda-feira, 4, o Rio Sem Homofobia divulgou e-mails anônimos que alguns estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) receberam com ameaças. Uma das ameaças era direcionada a um ‘certo aluno’, que pode ser referente a Diego Vieira Machado, 30 anos, que foi encontrado morto no sábado, 02, no campus de Fundão.
Os textos foram enviados antes do assassinato do estudante. Um deles dizia a este “certo aluno”, “vamos começar por você”. Outro e-mail cita uma série de questões polêmicas, como aborto e legalização das drogas, insinuando que quem está recebendo os textos apoia essas medidas.
As mensagens foram encaminhadas pelo coordenador do programa, Cláudio Nascimento, ao titular da Divisão de Homicídios (DH), Fábio Cardoso. “Alguns amigos do estudante relataram ameaças recebidas de um e-mail criado dentro da própria universidade, que seria de um grupo conservador. O texto critica a postura de alguns estudantes. A polícia já sabe dessas ameaças”, disse.
Segundo dados do Rio Sem Homofobia, somente no mês de junho foram registrados sete casos de assassinatos por motivação homofóbica no estado do Rio. Também foram registrados 10 casos de agressões pelo mesmo motivo.
Outro e-mail com tom agressivo ameaça diretamente um aluno que seria homossexual. “Vamos começar por um certo aluno que se diz minoria e oprimido por ser homossexual, que gosta de fumar maconha e outras coisitas mais (cocaína, chá de amanita) às vezes com o dinheiro da bolsa ou da família opressora. (…) Que gosta de mandar e receber nudes de seus amiguinhos pederastas”, diz o texto.
“Nenhuma vez o socialismo deu certo e não é com vocês que isso vai dar, aguardem os próximos capítulos. (…) Como descobrimos vocês? Conhecemos vocês, estamos nos CAs (Centros Acadêmicos), DCEs (Diretórios Centrais Estudantis) e instituições de ensino e pesquisa. (…) Estamos infiltrados!”, afirma outro e-mail, assinado pela “Juventude Revolucionária Liberal Brasileira. “Nós somos muitos, somos a maioria, somos unidos e somos anônimos!”, conclui.
Após a divulgação dos textos, Nascimento informou que pediu audiência com o reitor. “Pedimos uma audiência com o reitor da universidade para tratar da segurança no campus”, disse.
O coordenador ressalta que teme que casos de intolerância aumentem durante as Olimpíadas, pois a cidade ficará mais cheia, e por isso, também falará com o Comitê Olímpico. “A ideia é que eles se posicionem e criem uma campanha para evitar que outras pessoas sejam vítimas”.
O corpo do estudante Diego ainda está no Instituto Médico Legal (IML). Nascimento informou que está em contato com dois irmãos do jovem para providenciar o traslado do corpo até Belém, no Pará.
Uma foto de uma pichação no campus Praia Vermelha, da UFRJ, foi enviada a Nascimento. “Morte aos gays da UFRJ”, diz a pichação. “Isso só prova que cultura de ódio já está instalada e nada foi feito”, disse Nascimento.


