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Recomeço da vida profissional após os 60: “Não há prazo de validade para sonhar”

Especialistas destacam que muitas empresas têm criado políticas voltadas para a inclusão de pessoas acima dos 60 anos

Idoso estudando: maturidade traz autoconhecimento e clareza de valores
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização


Se antes a chegada aos 60 anos estava associada ao encerramento da vida profissional, hoje nada impede que se torne o início de um novo ciclo.

A economista e especialista em Gestão de Pessoas e Sustentabilidade Araceli Bufon explica que o crescimento do número de pessoas com mais de 60 anos buscando uma graduação e até uma reviravolta profissional tem como principal explicação a transformação demográfica que o País está vivendo.

“O Brasil não é mais um país de jovens. Hoje já são mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e a expectativa de vida se aproxima dos 77 anos. Isso muda completamente a lógica de carreira. Estamos vivendo mais, a tecnologia está transformando funções rapidamente. Isso tem levado a trajetórias mais longas e com múltiplas carreiras ao longo da vida”.

Ela destacou que a busca por uma graduação está ligada tanto a uma realização pessoal quanto à necessidade.

“A maturidade traz autoconhecimento e clareza de valores. Muitas pessoas percebem que ainda têm tempo para construir algo que realmente faça sentido para elas. Não só é possível construir uma nova carreira após os 60 como tende também a se tornar cada vez mais comum”.

A psicóloga clínica Cristiane Spinassé Rizzo reforçou que sonhar, aprender e se reinventar não têm prazo de validade.

“Quando deixamos de associar o envelhecimento à estagnação, abrimos espaço para histórias reais de aprendizado contínuo, realização pessoal e reinvenção profissional. Sonhos e projetos não têm data de vencimento”.

Ela enfatizou que muitas pessoas, após atravessarem períodos de sofrimento, perdas ou grandes dificuldades, encontram justamente na reinvenção profissional um caminho de cura, prazer e sentido, retomando desejos que ficaram guardados por anos.

“Há quem, depois de décadas no comércio ou no serviço público, encontre na aposentadoria a oportunidade de transformar um antigo hobby, como a culinária ou o artesanato, em uma nova fonte de renda”, destaca.

O consultor empresarial, especialista em Gestão de Pessoas e mentor de líderes Sidcley Gabriel ressaltou que muitas empresas têm evoluído e criado políticas voltadas para a inclusão de pessoas acima dos 60 anos.

“Tem sido muito saudável ter gerações diferentes trabalhando juntas”, observou.


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