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Cidades

Pesquisa revela que 40% dos brasileiros se sentem sozinhos

Pesquisa revela que a solidão atinge quatro a cada 10 pessoas e está associada a cerca de 100 mortes por hora

Levantamento feito pelo Family Talks, em parceria com a consultoria Market Analysis, aponta que a solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%)
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização


Em suas redes sociais, quantos amigos você tem? Talvez o número ultrapasse os 500. Mas, fora das telas, essa conexão existe?

Uma pesquisa revela que quatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. O levantamento feito pelo Family Talks, em parceria com a consultoria Market Analysis, aponta que a solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%), com diferença de quase 11 pontos percentuais.

Para o diretor da Market Analysis, Fabián Echegaray, a solidão é resultado de transformações profundas e cumulativas: “A desestruturação da família estendida, a mobilidade geográfica, o aumento do custo de vida e a queda do capital social fragilizaram as redes de apoio”.

Investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho do ano passado, demonstrou que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar.

A solidão está associada a cerca de 100 mortes a cada hora – mais de 871 mil mortes por ano. Já conexões sociais fortes podem levar a uma melhor saúde e a uma vida mais longa.

Na avaliação da psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), Lícia Colodete, a solidão tem relação com o mundo atual, em que são valorizados o desempenho, a eficiência e o individualismo.

Lícia explica ainda que a solidão não é falta de gente, mas de vínculo profundo com as pessoas. “Há uma velocidade que desfavorece a construção de vínculos mais profundos, porque toda profundidade demanda um tempo”.

O doutor em Psicologia Elizeu Borloti, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca que há mais percepção da solidão porque ela ganhou nome, linguagem pública e legitimidade como tema de saúde.

“A OMS e outras instituições vêm tratando conexão social, isolamento e solidão como questão relevante de saúde pública. A solidão está mais nomeada, mas também há bons indícios de que ela esteja mais produzida socialmente”.

Razões

Ele pontua que existem razões para supor aumento real: “Fragilização de redes comunitárias, vida urbana mais segmentada, trabalho mais instável, rotinas mais individualizadas, digitalização das relações e menos espaços de convivência espontânea”.

“O próprio levantamento da Family Talks aponta que 61,1% atribuem a solidão principalmente a fatores externos, e não a falhas individuais”.

Estratégia


Há seis anos, a mentora comercial Juliana Perez, de 36 anos, que é do Rio Grande do Sul, mora no Espírito Santo, longe da família. Mas há 11 anos, Juliana já mora sozinha.

Ela também trabalha de home office e adota algumas estratégias para não se sentir solitária, como manter contato com os amigos, manter uma rotina de atividade física, passeios ao ar livre e momentos tomando um café especial, por exemplo.

“Busco sempre incluir na minha rotina atividades que gosto, que me fazem bem e feliz, como ir à praia, passeios ao ar livre e aprender um esporte ou hobby novo”.

Pesquisa

Quatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. É o que revela uma pesquisa exclusiva realizada pelo Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, com base em entrevistas com mais de mil pessoas em todo o País.

Solidão entre gêneros

Mulheres:  46,2%

Homens: 35,3%

Solidão entre classe social

45,6% Classe C2/DE

24,7% CLASSE A

Solidão e parentalidade

45,9% sem filhos

36,4% com filhos

Solidão por faixa etária

Jovens de 18 a 34 são tão solitários quanto adultos de 35 a 44.

A queda só aparece após os 45 anos. Sem o padrão esperado de solidão na terceira idade.

IDADE – SOLITÁRIOS – NÃO SOLITÁRIOS

18 – 24 – 45% – 55%

24-34 – 46,7% – 53,3%

35-44 – 46,1% – 53,9%

45-54 – 35,9% – 64,1%

55-64 – 37,6% – 62,4%

65+ – 30,2% – 69,8%

Frequência da solidão

Mulheres – 46,2%

18-44: 51%

65+: 42,4%

Homens – 35,3%

18–44: 40%

65+: 22,9%

A brecha de gênero é maior entre os mais jovens e persiste na velhice.

Converge apenas em 55–64, onde ambos os sexos chegam a cerca de 37–38%

Conectividade
Quanto maior for o estresse com as redes sociais, maior a solidão.


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