- Vitória, ES 21°C

Vitória 21°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Cidades

Capixabas enfrentam o calor histórico da Europa

Países como França, Espanha, Itália e Alemanha registram temperaturas acima dos 40°C e população sofre consequências

Capixabas enfrentam o calor histórico da Europa
- A agente de turismo Fran Nichel mora em Paris: “Me sinto num deserto” / Rafael: sufoco com o calor
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização


A Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor de sua história recente, e países como França, Espanha, Itália e Alemanha registram temperaturas acima dos 40°C.

Capixabas que moram na Europa relatam como tem sido enfrentar o calorão, onde mesmo o verão costuma não ser tão intenso.

Natural de Colatina e moradora de Barcelona, na Espanha, Sthefany Almeida, de 26 anos, dá aulas online de inglês e trabalha em uma cafeteria. Ela conta que o tempo seco faz a sensação de calor aumentar.

“Está pior do que Colatina, não tem uma nuvem no céu. O ventilador só espalha o ar quente e quando preciso dar aulas online procuro ambientes climatizados. No meu apartamento não é possível instalar ar-condicionado”.

A agente de turismo Fran Nichel é de Campo Grande, em Cariacica, e mora em Paris. Ela contou que precisou adaptar roteiros de passeios por causa das altas temperaturas.

Em locais a céu aberto, como o Jardim de Luxemburgo, ela conta que só é possível fazer uma parada rápida para fazer fotos.

“Eu me sinto num deserto, nunca tinha passado por isso. Já fez 43ºC, mas a sensação térmica é mais alta e Paris não é preparada para este calor”.

Segundo a agente de turismo, pontos turísticos como o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre não estão sendo abertos à tarde. “Temos que adaptar a rotina para os clientes”.

Fran Nichel contou que a escola em que a filha estuda suspendeu as aulas na semana passada e recomendou que os alunos fossem de boné e levassem uma garrafa d´água.

“As escolas não têm ventilador e nem ar-condicionado e eu comprei um ventilador pequeno, portátil, para minha filha”.

Morando em Paris há nove meses, o psicólogo Rafael Pereira Valamiel, de 26 anos – acostumado com os verões da Praia da Costa, onde morava –, diz que está passando sufoco com o calor.

Na última quinta-feira, ele contou que a temperatura chegou a 40ºC na Cidade Luz.

“Cresci em Vila Velha e, de fato, no verão a gente sabe como é, chega a 35ºC, são temperaturas altas. E aqui chegou a bater 40ºC, mas a sensação térmica vai além disso. Cidades aqui no entorno chegaram a registrar 45ºC. Realmente no quesito temperatura já é elevadíssimo e ainda tem a questão do ar ser muito seco”.

Fenômeno ajuda a explicar aumento nas temperaturas

A Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor de sua história recente devido ao bloqueio Ômega, fenômeno que impede a chegada de frentes frias e mantém o ar quente sobre o continente por vários dias.

“Essa estrutura impede o avanço de frentes frias e mantém o ar quente estacionado sobre a região por dias ou semanas, elevando as temperaturas a níveis alarmantes”, explica o ambientalista e professor aposentado do Departamento de Oceanografia da Ufes Luiz Fernando Schettino.

O fenômeno compromete o funcionamento de serviços essenciais e pressiona a economia. “Redes elétricas sobrecarregadas, usinas nucleares reduzindo produção por falta de água fria para resfriamento e colheitas comprometidas pela seca compõem um cenário de vulnerabilidade sistêmica”.

Segundo Schettino, o bloqueio Ômega é mais do que um evento meteorológico: é um sinal inequívoco das mudanças climáticas.

Onda de calor

O bloqueio ômega é um padrão atmosférico em que uma área de alta pressão fica estacionada entre duas áreas de baixa pressão, formando nos mapas um desenho semelhante à letra grega ômega.

Esse arranjo prende o ar quente sobre uma região por vários dias ou semanas, intensificando ondas de calor como a que atinge a Europa neste ano.

Como funciona

Alta pressão no centro: mantém o ar quente e estável.

Baixas pressões nas laterais: criam barreiras que impedem o deslocamento normal dos sistemas climáticos.

Corrente de jato deformada: em vez de transportar sistemas de Oeste para Leste, ela ondula e isola as áreas de pressão.

Consequências

Calor persistente: temperaturas acima de 40ºC em países como França e Espanha.

Céu limpo: a alta pressão inibe a formação de nuvens, aumentando a radiação solar.

Seca e estresse térmico: o ar quente estacionado agrava impactos na saúde, agricultura e energia.

Duração

Normalmente entre 3 e 10 dias, mas pode se prolongar por semanas.

Durante esse período, o clima fica praticamente “congelado” em um padrão estável.

Mudanças climáticas

Ainda não há consenso científico sobre se o aquecimento global aumenta a frequência dos bloqueios Ômega.

Mas há evidências de que intensifica os efeitos das ondas de calor associadas a eles.

Fonte: Luiz Fernando Schettino.



Mais Lidas

Ver tudo ›