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Economia

Inteligência Artificial pode deixar viagens aéreas mais caras. Entenda

Tecnologia que já vem sendo usada por empresa aérea limita acesso a passagens mais baratas, em uma tendência para o setor

Classe econômica de avião da Delta Airlines: empresa admitiu uso de tecnologia para levar “ofertas otimizadas a determinados grupos de passageiros”.

Última atualização


Um programa piloto de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela startup israelense Fetcherr para uma companhia aérea parceira tem gerado reações no setor. Segundo documento divulgado recentemente, a tecnologia substitui uma estrutura simples de preços por um modelo mais complexo, com maior número de classes tarifárias e oscilações frequentes nos valores.

A Fetcherr trabalha com companhias como a Delta Air Lines, que informou utilizar a ferramenta em 3% de sua malha doméstica e planeja expandir esse uso para 20% até o fim do ano. A startup descreve o sistema como um “modelo de mercado amplo”, com funcionamento semelhante ao de sistemas generativos como o Dall-E, da OpenAI, mas voltado à criação de estratégias de precificação.

No material promocional, a empresa diz que as estruturas de preços desenvolvidas “ultrapassam os limites cognitivos humanos”.

O objetivo, diz o cofundador e diretor de IA da Fetcherr, Uri Yerushalmi, é aumentar a receita por meio de uma “fase de exploração”, com ajustes de preço baseados em dados de mercado em tempo real.

O presidente da Delta, Glen Hauenstein, afirmou em novembro que a companhia estava testando ofertas otimizadas para clientes específicos, com variações de preço de US$ 20 ou US$ 40.

A ideia, segundo ele, é ajustar a oferta ao momento e ao perfil de cada passageiro. A divulgação da tecnologia provocou críticas. Um grupo de senadores democratas dos EUA, liderado por Ruben Gallego, enviou carta ao CEO da Delta, Ed Bastian, apontando riscos à privacidade e aumento de tarifas “até o ponto de dor pessoal” do consumidor.

O senador republicano Josh Hawley chamou o sistema de “a pior coisa que já ouvi da já terrível indústria aérea”. O deputado democrata Greg Casar propôs proibir o chamado “preço por vigilância”.

Em nota, a Fetcherr negou a personalização e afirmou que o software pode inclusive reduzir tarifas em períodos de baixa demanda. A Delta disse que a ferramenta é “supervisionada e ajustada por analistas” e que não usa precificação individualizada.

Antes, postagens da Fetcherr indicavam planos com base em comportamento do consumidor. Esse trecho foi excluído do site da empresa.

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