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Marido de mulher que morreu após câncer se declara: “Prometi que cuidaria do Ravi”

Rilles de Souza se despede de sua mulher, Pâmela, e segue lutando para criar o filho deles. O bebê vai fazer 2 meses

Pâmela ficou alguns momentos com o seu bebê, Ravi.

Última atualização

Dor, tristeza e orgulho. É assim que Rilles de Souza, de 28 anos, descreve os sentimentos que o consomem diante da perda de sua esposa, Pâmela Souza, de 30 anos.

Lutando contra um câncer na cabeça há cinco anos, ela morreu ontem, às 5h30. O enterro será hoje, às 14 horas, no Cemitério de Maruípe.

A dor, conta Rilles, não é preciso explicar. Mas o orgulho vem do nascimento do filho, Ravi Souza, no dia 6 de fevereiro.

Ravi completa dois meses no próximo domingo. Atualmente, segue internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Hucam. Segundo o pai, sem previsão de alta.

“Prometi a ela que cuidaria do Ravi independente do que acontecesse. Vou honrar com a minha palavra e cuidar dele muito bem”, reforça.

“Ela foi uma heroína, uma guerreira”, explica Rilles. “Ela teve a opção médica de abortar, mas decidiu prosseguir com a gestação”.

Rilles complementa que essa escolha foi dada devido ao risco à vida dela ser grande. Para continuar com a gravidez, teve que interromper o tratamento oncológico.

“Devido ao câncer, disseram que ela nunca poderia ter filhos. Mas o Senhor a agraciou e minha esposa teve o milagre dela: o nosso pequeno Ravi. Eu tenho muito orgulho dela”, completa.

A história da família ficou nacionalmente conhecida pela força da mãe. Pâmela deu à luz Ravi com sucesso. O bebê nasceu com 1,2 quilo na 28ª semana de gestação.

Segundo Carolina Prest Ferrugini, obstetra e chefe da Unidade Materno-Infantil do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em entrevista anterior para a reportagem de A Tribuna, Pâmela tinha um glioblastoma multiforme (GBM), um tumor cerebral considerado o mais agressivo entre os gliomas.

“Trata-se de uma doença rara, o que, por si, torna o caso especial. Além disso, a gravidez fazendo tratamento com radio e quimioterapia não é comum. E também porque, apesar do prognóstico restrito, ela resistiu tempo suficiente para levar a gravidez até uma idade gestacional que viabilizava a vida do bebê. Temíamos que ela não resistisse ao parto”.

Rilles conta que o câncer de Pâmela se agravou devido à gestação e que a esposa nunca conseguiu ver o filho, porque a doença já havia tomado sua visão. Ela apenas tocava o bebê. “Ela amava o Ravi”.

Antes de morrer, ela estava internada em uma clínica de paliatividade, na Serra.

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