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Cidades

Mais de 300 denúncias de maus-tratos contra animais este ano no ES

Casos foram registrados entre janeiro e julho. Violência contra cães e gatos, e guarda de animais silvestres estão entre os principais crimes

Cadela teve o corpo pichado com frases e siglas de facções criminosas pelas ruas de Guarapari

Última atualização


Mais de 300 denúncias de maus-tratos contra animais foram registradas entre janeiro e julho deste ano no Espírito Santo. Os números são do Observatório da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Entre os crimes ambientais que mais ocorrem no Estado estão a guarda de animais silvestres sem autorização e maus-tratos a cães e gatos, explica o titular da Delegacia de Meio Ambiente e Proteção aos Animais, delegado Leandro Piquet.

“Só neste ano, desmantelamos dois canis e um gatil clandestinos na Grande Vitória. Durante as autuações, muitas pessoas não compreendem porque estão sendo presas, não têm consciência do que é bem-estar animal. E os casos de guarda de animais silvestres sem autorização estão ligados a uma cultura ultrapassada e errada de manter aves presas em gaiolas”.

O projeto Love trabalha há 10 anos com o resgate e reabilitação de cachorros no Espírito Santo, conta a voluntária Thais Eduão.

“Temos 15 pessoas na equipe e recebemos denúncias tanto em redes sociais quanto no WhatsApp do projeto. Já resgatamos cachorros que foram abandonados na porta de casa e não saíam do local. Outras vezes já comparecemos na residência com a polícia, e conversamos com o tutor, até ele entender que cometia crime”.

Interessados em contribuir com doações voluntárias de qualquer valor, programas de mensalidade e adoção financeira de animais podem procurar o projeto no perfil de Instagram @loveprojetosocial ou pelo WhatsApp (27) 99912-7776.

“Cada cão custa R$ 2 mil por mês durante o processo de reabilitação. Também recebemos doações de produtos higiênicos e rações. Faremos o resgate onde o cão estiver”, afirmou Thais.

Os cachorros resgatados são encaminhados para o Hotelzinho da Tia Iza, em Vila Velha. O tempo médio para reabilitação é de um a dois meses, mas a proprietária, Izanete da Silva, conta de casos que levaram seis meses.

“Muitos dos cães chegam com traumas, sequelas, machucados e doenças. Eles passam por tratamento médico veterinário e comportamental. É uma nova chance para o animal reaprender a conviver com outros cães e com pessoas. Só depois disso ele fica liberado para adoção”.

Você sabia?

A Teoria do Elo descreve, baseada em estudo norte-americano, a ligação entre indivíduos que cometem crueldade contra animais e violência doméstica, especialmente contra crianças, mulheres e idosos. De acordo com a Polícia Civil do Estado, diversos criminosos por maus-tratos também cometeram agressões contra vulneráveis.

Saiba mais

Números e os crimes

336 denúncias de maus-tratos contra animais foram registradas entre janeiro e julho deste ano.

30% é o percentual de aumento desse tipo de crime, em comparação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 206 denúncias.

261 cães foram vítimas do total de maus-tratos registrados.

2.720 denúncias anônimas foram feitas ao Disque-Denúncia (181) entre janeiro e agosto de 2025, um aumento de 30% em comparação com o mesmo período de 2024.

Mais de 300 animais foram resgatados pela Polícia Civil em todo o Estado neste ano, sendo aproximadamente 200 cães e gatos e mais de 100 aves silvestres.

Vila Velha é o município com maior número de ocorrências (52) de maus-tratos a animais neste ano.

Em Junho de 2025 foram registradas 60 ocorrências de maus-tratos, maior número desde 2023.

Lei de Crimes Ambientais

A lei 9.605/98 dispõe que podem ser penalizados por atividades lesivas ao meio ambiente pessoas físicas e jurídicas por ação direta ou ao deixar de impedir prática criminosa quando podia agir para evitá-la.

Dentre as penas aplicáveis estão multa, restrição de direitos e de liberdade por até cinco anos, e prestação de serviços à comunidade.

Como denunciar

Em flagrante, basta discar 190 para acionar a Polícia Militar.

Boletim de Ocorrência (BO) pode ser registrado caso não seja possível flagrar os maus-tratos.

O Disque-Denúncia garante anonimato completo, através do número 181 ou do site www.disquedenuncia181.es.gov.br.

Alguns casos de maus-tratos

Residência

Dois cães – sendo um apresentando sinais de maus-tratos –, 11 aves silvestres e dois jabutis foram apreendidos em agosto em uma residência de Vila Velha.

O responsável, um homem de 65 anos, foi preso e conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha pelos crimes de maus-tratos e posse irregular de animais silvestres. Os animais apreendidos foram encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Cadela pichada

Uma cadela foi flagrada com o corpo pichado com frases e siglas de facções criminosas pelas ruas de Guarapari.

De acordo com moradores, o animal estava andando pelas ruas desorientado quando foi visto. Entre as pichações identificadas estão Bala, 12 e TCP, sigla que faz referência à facção Terceiro Comando Puro. Vários números 3 foram marcados no animal em alusão à facção. Um adolescente de 17 anos se apresentou à polícia como autor do crime.

No meio da rua


Um homem matou um cachorro no meio da rua no município de Baixo Guandu, região Noroeste do Estado. O crime foi flagrado por câmeras de videomonitoramento da cidade.

De acordo com o registrado nas imagens, o criminoso se aproximou do animal, o pegou e arremessou o cão algumas vezes contra o chão. Horas depois do crime, o homem teria sido agredido por moradores, que ficaram revoltados com a morte do cachorro.

Zoofilia

A Polícia Civil pede cooperação da população para solucionar um caso de maus-tratos envolvendo zoofilia com cão em Baixo Guandu. Uma pessoa em situação de rua foi flagrada cometendo práticas sexuais com um cachorro.

De acordo com o delegado Leandro Piquet, o homem tem 1,70m, porte forte, cabelos claros e pernas inchadas, característica que o identifica. Em caso de qualquer informação relevante sobre o caso, é possível informar a polícia através do Disque-Denúncia (181), que garante completo anonimato.


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