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Congresso derruba vetos de Lula ao licenciamento ambiental dias após fim da COP-30

BRASÍLIA- O Congresso Nacional derrubou parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei do licenciamento ambiental, ...

Congresso derruba vetos de Lula ao licenciamento ambiental dias após fim da COP-30
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BRASÍLIA- O Congresso Nacional derrubou parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei do licenciamento ambiental, chamado por ambientalistas de “PL da Devastação”. A derrubada ocorre menos de uma semana após o fim da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), em Belém.

Dos 52 vetos mantidos para análise na sessão desta quinta-feira, até o momento 24 vetos foram derrubados pelos parlamentares, os demais foram destacados para votação separada. Os votos destacados reúnem os temas mais sensíveis do licenciamento ambiental, como a concessão de licença por adesão e compromisso (LAC) para atividades de médio potencial poluidor.

O Congresso deixou para a próxima sessão avaliação de outros sete vetos do presidente ao texto. A área ambiental do governo considerava esses pontos necessários para manter mínimo arcabouço legal do licenciamento no País. A análise dos vetos do presidente Lula acontece em um momento de crise entre o Executivo e o Legislativo. (Leia mais abaixo)

Os vetos 32 a 38 dizem respeito à Licença Ambiental Especial (LAE) e serão analisados em conjunto com a Medida Provisória editada pelo governo federal para tratar sobre o tema. A LAE é um dos dispositivos mais polêmicos do texto do licenciamento ambiental por determinar que projetos de interesse estratégico do Conselho de Governo terão procedimento célere.

BARQUEATA BELÉM PA 12.11.2025 BARQUEATA / COP30 METRÓPOLES – Barqueata da Cúpula dos Povos realizada na manhã desta quarta-feira 12 na Baía do Guajará, em Belém. A barqueata percorre os rios que cercam a capital da COP30. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O dispositivo é criticado por ambientalistas por deixar a análise de empreendimentos suscetível a critérios políticos e não a considerações técnicas dos órgãos ambientais.

As mudanças da lei do licenciamento ambiental são classificadas por especialistas como o maior desmonte da política ambiental brasileira da História.

“O licenciamento ambiental e os estudos que são inerentes a ele constituem a principal ferramenta de prevenção de danos socioambientais da Politica Nacional do Meio Ambiente”, explica Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Decisão opõe governo e Congresso

Na última quarta-feira, 26, o governo federal divulgou uma nota pedindo a manutenção dos vetos do presidente Lula. Na nota, o governo pediu diálogo para construção de uma solução equilibrada, “de forma a evitar um retrocesso ambiental, social e institucional“.

“Um país que acabou de sediar a COP-30, que conseguiu reduzir pela metade o desmatamento da Floresta Amazônica e é exemplo para o mundo na utilização de fontes energéticas renováveis, merece uma legislação robusta e avançada sobre o licenciamento, uma das principais ferramentas da proteção ambiental do nosso país”, disse o texto do governo.

O governo Lula vive um acirramento da crise com o Congresso após a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tentava emplacar seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Durante análise dos vetos, Alcolumbre afirmou que pautar os vetos foi um dever institucional e não uma decisão com cunho político. Segundo ele, o Congresso não pode se furtar a cumprir suas atribuições.

“Qualquer tentativa de transformar isso em disputa política desconsidera o papel institucional do Congresso Nacional”, disse Alcolumbre, acrescentando: ” A votação desse veto não é um gesto político isolado, é uma necessidade institucional.”

O senador disse ainda que a análise do veto é “fundamental” para destravar outras matérias relacionadas ao licenciamento ambiental no Congresso e “essencial para desenvolvimento do País”.

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