As cervejarias artesanais do Espírito Santo não utilizam as substâncias tóxicas na produção da cerveja, segundo o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal no Estado (Abracerva-ES), Paulo de Victa Alves.
Apesar de serem permitidos no processo de resfriamento, o dietilenoglicol e o monoetilenoglicol não são usados por conta do alto custo. “Como o preço é elevado, as cervejarias os substituem por água e álcool (etanol)”, afirmou Alves.
Como comparação, o litro do dietilenoglicol custa cerca de R$ 100, enquanto o do etanol sai por R$ 3,50. “É bom lembrar que nas cervejas não vão produtos químicos, apenas malte, lúpulo e água, com adição de levedura e algumas especiarias em caso de cervejas com sabores diferentes”, destacou.
As substâncias (seja o dietilenoglicol ou o etanol) são utilizadas no tanque de resfriamento, para evitar o congelamento do líquido da cerveja, já que a temperatura chega a -10ºC. Por esse tanque, passa o sistema de tubos pelo qual circula a substância.
Essa substância, no entanto, circula em tubos independentes, ou seja, não deve entrar em contato com a bebida. “A utilização deste produto é permitida, mas o que não deve acontecer é a mistura disso na cerveja, pois são recipientes separados”, afirmou o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF-ES), Luiz Carlos Cavalcanti. A Backer, no entanto, confirmou que utiliza monoetilenoglicol.
Suspeita
Para Luiz Carlos Cavalcanti, uma das possibilidades é de que o monoetilenoglicol tenha sido contaminado com dietilenoglicol. “Além disso, pode ter havido um extravasamento do líquido de refrigeração para dentro da cerveja. É preciso verificar o equipamento para ver se há furo ou corrosão. Mas isso tudo ainda precisa ser analisado pela polícia”, ressaltou.
Nessa terça-feira (15), a Abracerva solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a agência proíba o uso do dietilenoglicol e do monoetilenoglicol nas produções.
