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Ruas da Grande Vitória invadidas por usuários de drogas

Em Vila Velha, endereço onde a recepcionista que será internada compulsoriamente nasceu e cresceu, não é difícil ver ruas “invadidas” por viciados em ...

Acampamento de usuários de drogas próximo ao Terminal de Vila Velha

Última atualização

Acampamento de usuários de drogas próximo ao Terminal de Vila Velha (Foto: Beto Morais / AT)

Em Vila Velha, endereço onde a recepcionista que será internada compulsoriamente nasceu e cresceu, não é difícil ver ruas “invadidas” por viciados em drogas. Em outros municípios da Grande Vitória, a situação não é diferente.

Sob efeito da droga, sobretudo do crack, ou se preparando para comprar mais pedras, os usuários andam de um lado para outro ou se refugiam debaixo de barracas improvisadas ou terrenos baldios, a exemplo da região Divino Espírito Santo (próxima do Terminal de Vila Velha).

Na tarde desta segunda-feira (06), a reportagem de A Tribuna percorreu vários locais e flagrou usuários, principalmente jovens que trocaram suas casas e largaram seus empregos para viverem nas ruas de Vila Velha. Uma mulher tinha um cachimbo na mão e carregava uma faca na bermuda.

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Alguns, mais arredios, não quiseram conversa. Outros, na certeza de que não seriam identificados, concordaram em contar suas experiências com a droga, que foi apresentada a muitos ainda na infância ou adolescência.

Segurando um isqueiro maçarico, um jovem, que ia fumar uma pedra debaixo da Terceira Ponte, na Praia da Costa, disparou: “Tenho 22 anos, uma filha de 3 anos, e sete profissões na carteira, entre elas pedreiro, pintor, tenho experiência em marcenaria, atendente de loja, repositor e também sou técnico em Informática”.

Ele, que pediu para não ser identificado, contou que começou a fumar maconha com 11 anos e, aos 12 anos, cocaína. Há um mês decidiu conhecer o crack.

“Tomei essa decisão porque o meu nariz está todo ferido, saindo sangue, de tanto cheirar pó. Estou usando crack. Eu gasto R$ 50 com pedra por dia, mas tem gente que chega a fumar R$ 3 mil em pedras por dia”, disse o técnico em Informática.

Ele contou que já foi internado uma vez, por iniciativa própria, mas depois de três meses estava usando drogas novamente.

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Em Vitória, Cariacica e na Serra também há concentração de usuários, inclusive em bairros nobres.
Procurados na tarde de ontem prefeituras desses municípios da Grande Vitória garantiram que têm investido em ações para essa população. Entre elas, alguns realizam abordagens de rua, além de capacitação para que retornem ao mercado de trabalho ou até mesmo tirem documentos.

ANÁLISE

“Sem acompanhamento adequado, a situação tende a se repetir”, por Valber Dias Pinto, médico psiquiatra e professor

“O consumo de substâncias psicoativas é bastante frequente em nossa sociedade, variando desde o uso ocasional até a dependência. Estudos epidemiológicos têm detectado índices de uso cada vez maiores nos últimos anos, tanto no Brasil como no mundo.

O último levantamento sobre o uso de drogas no Brasil, realizado em 2010 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas da Unifesp, em 829 estudantes do ensino fundamental e médio da cidade de Vitória detectou que 23,6% referiram já ter usado alguma droga em algum momento das suas vidas, não contabilizando aqui álcool e tabaco.

Em geral, os usuários de substâncias psicoativas procuram os serviços especializados já em uma fase muito avançada do distúrbio, sendo muitas vezes necessária a internação em clínicas especializadas, como ocorre em qualquer doença em seu estágio grave.

Esta deve ocorrer sempre que houver risco de vida para o usuário ou mesmo quando constatada a impossibilidade de romper o ciclo de utilização da substância.

No entanto, não deve ser entendida como um meio isoladamente, pois, sem um acompanhamento adequado, a situação tende a se repetir na vida do indivíduo.”

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