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Polícia

Vigaristas já clonaram o WhatsApp de 60 mil no Estado este ano

Persuasivos e com um bom papo. A cada dia, criminosos usam de diferentes formas para enganar as pessoas e obter dinheiro fácil. Um desses artifícios ...

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Última atualização

Persuasivos e com um bom papo. A cada dia, criminosos usam de diferentes formas para enganar as pessoas e obter dinheiro fácil. Um desses artifícios é o golpe aplicado pelo WhatsApp. Somente este ano, cerca de 60 mil usuários no Estado foram vítimas de vigaristas e tiveram as contas clonadas ou sequestradas.

O prejuízo para quem é enganado muitas vezes é alto. Tudo começa quando o bandido consegue o número do celular da vítima. A partir daí, ele escolhe a maneira que mais lhe convém para aplicar o golpe. Uma delas é o sequestro da conta do WhatsApp.

O golpista consegue invadir o aplicativo e a vítima perde o acesso por completo. Os criminosos usam diversas artimanhas para conseguir o acesso à conta.

Se uma pessoa acabou de fazer um anúncio em um site de vendas, por exemplo, o golpista usa o número de telefone dela para entrar no aplicativo e um código é enviado à vítima. Depois, o bandido entra em contato com ela, afirmando que precisa do código para fazer a verificação do anúncio.

Assim que a pessoa entrega o código, a conta fica bloqueada, e o bandido passa a enviar mensagens para os contatos da vítima inventando situações de emergência e pedindo dinheiro em forma de transferência bancária.

Outra forma de chegar ao mesmo resultado é fazendo a clonagem da conta. Nesse caso, o bandido usa o nome e a foto da vítima, mas de um outro número, de forma que ela ainda fica com acesso à conta.

Eduardo Pinheiro, especialista em Tecnologia da Informação (Foto: Divulgação)“Está mais vulnerável quem se expõe mais, quem coloca dados na internet. Os criminosos estão vasculhando as redes em busca de vítimas. No ambiente virtual, as pessoas têm que estar com o mesmo estado de alerta que elas andam nas ruas, é preciso atenção”, afirmou Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital.

O criminoso que aplica esses golpes podem incorrer nos crimes de estelionato e violação de dispositivo informático.

A jornalista Alessandra Tonini foi vítima de sequestro, após fazer anúncio em um site de vendas. Bandidos invadiram a conta dela e pediram dinheiro a amigos e familiares. Mas, as pessoas desconfiaram e ligaram para avisá-la.

Fábio Oliveira (Foto: Acervo pessoal)


Telefonema de vigaristas


O CEO da Sales Farm, Fábio Oliveira, foi uma das vítimas dos golpistas. Ele recebeu ligação na qual criminosos pediram que ele entregasse um código que estava prestes a receber.

“Usaram um amigo meu que era influencer e que iria fazer um evento. Para me cadastrar, eu precisaria passar esse código aos criminosos. Assim que passei, o WhatsApp foi bloqueado. Eles passaram a contactar pessoas da minha agenda pedindo R$ 900. Cinco pessoas entregaram a quantia”.

Porém, algumas pessoas desconfiaram da situação e ligaram para Fábio, informando o ocorrido. Imediatamente ele fez um relato nas redes sociais para avisar aos amigos sobre o golpe. Somente uma pessoa conseguiu recuperar o dinheiro pago aos golpistas.


Conta sequestrada


Sara de Oliveira (Foto: Acervo pessoal)

A universitária Sara de Oliveira, de 21 anos, teve a conta sequestrada. Ela afirmou que estava conversando com um conhecido, que disse que ela ia receber uma mensagem de SMS com um código, e pediu que passasse o número a ele.

Assim que a universitária entregou, ela ficou sem acesso ao WhatsApp. Ela contou ao conhecido o que tinha ocorrido, e soube que ele também tinha sido vítima de um sequestro. Os bandidos usaram a conta da universitária para pedir dinheiro a amigos e familiares.


Clonado sete vezes


Roger Bongestab (Foto: Acervo pessoal)

O nutrólogo Roger Bongestab também foi vítima de criminosos. Somente este ano, ele teve a conta de WhatsApp clonada por sete vezes. Os bandidos usam uma foto do médico e se passam por ele, pedindo dinheiro para outras pessoas.

Ele afirmou que a última vez que teve a conta clonada foi na quarta-feira. “Entraram em contato com familiares e se passaram por mim, falando que eu precisava de pagar um fornecedor com urgência. Graças a Deus ninguém entregou o dinheiro”. A vítima fez boletim de ocorrência.


Saiba mais


Aumento de casos

  • O numero de golpes de WhatsApp estão aumentando ao longo dos anos. Somente de janeiro até agosto deste ano, cerca de 60 mil pessoas foram vítimas de bandidos no Estado.

Sequestro x clonagem

  • Especialistas destacam dois tipos de golpes: o sequestro da conta do WhatsApp e a clonagem. O que os criminosos buscam com as formas é a mesma coisa: obter vantagem financeira das vítimas.

  • O sequestro acontece quando o criminoso invade a conta da vítima, fazendo com que ela perca completamente o acesso. A partir daí ele passa a contactar os familiares e amigos da vítima, simulando situações de urgência e pedindo dinheiro.

  • Existem várias forma de conseguir o acesso à conta da pessoa. Uma delas é usando o código de verificação do WhatsApp.

  • Já na clonagem o criminoso não invade a conta da vítima, ele usa o nome e uma foto dela, em outro número de telefone.

Como se prevenir

  • Reforçar a segurança do aparelho com antivírus e aplicativos que enviam alertas de segurança.

  • Tenha cuidado ao clicar em links compartilhados pelo WhatsApp ou redes sociais. Desconfie de promoções, notícias sensacionalistas e descontos.

  • Não faça transferências bancárias para uma pessoa sem se certificar (por meio de uma ligação telefônica) que é ela mesmo quem está pedindo.

  • Faça a verificação em duas etapas para aumentar a segurança e evitar golpes. Essa ferramenta está disponível no próprio WhatsApp e pode ser feita da seguinte forma:

  • Vá em Configuração, clique na opção “Conta”. Na próxima tela, clique em “Confirmação em duas etapas”. Depois clique em “Ativar”.

  • Cadastre um código e não repasse para ninguém. Cadastre também um e-mail, clique em confirmar e salvar.

O que fazer se for vítima?

  • Crie uma rede de informação e avise às pessoas, através de redes sociais e telefonemas. Explique o que aconteceu e peça que não depositem dinheiro se alguém pedir.

  • Em seguida, envie um e-mail para [email protected] com o título “Perdido/roubado: desative a minha conta”. O WhatsApp vai receber o pedido, analisar e desativar.

  • Depois, é preciso recuperar a conta. Uma das formas é baixar o WhatsApp de novo e tentar fazer um novo cadastro, usando o número perdido. Mas nem sempre isso funciona.

  • A segunda possibilidade é esperar sete dias e instalar o WhatsApp novamente. Com o passar desse tempo é mais fácil conseguir.

  • A vítima pode usar o aplicativo WhatsApp Business, onde ela pode recuperar a conta em um prazo de 10 a 12 horas.

  • Depois, é preciso ir à uma delegacia e registrar o boletim de ocorrência.

Fonte: Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital e pesquisa AT.

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