Persuasivos e com um bom papo. A cada dia, criminosos usam de diferentes formas para enganar as pessoas e obter dinheiro fácil. Um desses artifícios é o golpe aplicado pelo WhatsApp. Somente este ano, cerca de 60 mil usuários no Estado foram vítimas de vigaristas e tiveram as contas clonadas ou sequestradas.
O prejuízo para quem é enganado muitas vezes é alto. Tudo começa quando o bandido consegue o número do celular da vítima. A partir daí, ele escolhe a maneira que mais lhe convém para aplicar o golpe. Uma delas é o sequestro da conta do WhatsApp.
O golpista consegue invadir o aplicativo e a vítima perde o acesso por completo. Os criminosos usam diversas artimanhas para conseguir o acesso à conta.
Se uma pessoa acabou de fazer um anúncio em um site de vendas, por exemplo, o golpista usa o número de telefone dela para entrar no aplicativo e um código é enviado à vítima. Depois, o bandido entra em contato com ela, afirmando que precisa do código para fazer a verificação do anúncio.
Assim que a pessoa entrega o código, a conta fica bloqueada, e o bandido passa a enviar mensagens para os contatos da vítima inventando situações de emergência e pedindo dinheiro em forma de transferência bancária.
Outra forma de chegar ao mesmo resultado é fazendo a clonagem da conta. Nesse caso, o bandido usa o nome e a foto da vítima, mas de um outro número, de forma que ela ainda fica com acesso à conta.

O criminoso que aplica esses golpes podem incorrer nos crimes de estelionato e violação de dispositivo informático.
A jornalista Alessandra Tonini foi vítima de sequestro, após fazer anúncio em um site de vendas. Bandidos invadiram a conta dela e pediram dinheiro a amigos e familiares. Mas, as pessoas desconfiaram e ligaram para avisá-la.
Telefonema de vigaristas
O CEO da Sales Farm, Fábio Oliveira, foi uma das vítimas dos golpistas. Ele recebeu ligação na qual criminosos pediram que ele entregasse um código que estava prestes a receber.
“Usaram um amigo meu que era influencer e que iria fazer um evento. Para me cadastrar, eu precisaria passar esse código aos criminosos. Assim que passei, o WhatsApp foi bloqueado. Eles passaram a contactar pessoas da minha agenda pedindo R$ 900. Cinco pessoas entregaram a quantia”.
Porém, algumas pessoas desconfiaram da situação e ligaram para Fábio, informando o ocorrido. Imediatamente ele fez um relato nas redes sociais para avisar aos amigos sobre o golpe. Somente uma pessoa conseguiu recuperar o dinheiro pago aos golpistas.
Conta sequestrada
A universitária Sara de Oliveira, de 21 anos, teve a conta sequestrada. Ela afirmou que estava conversando com um conhecido, que disse que ela ia receber uma mensagem de SMS com um código, e pediu que passasse o número a ele.
Assim que a universitária entregou, ela ficou sem acesso ao WhatsApp. Ela contou ao conhecido o que tinha ocorrido, e soube que ele também tinha sido vítima de um sequestro. Os bandidos usaram a conta da universitária para pedir dinheiro a amigos e familiares.
Clonado sete vezes
O nutrólogo Roger Bongestab também foi vítima de criminosos. Somente este ano, ele teve a conta de WhatsApp clonada por sete vezes. Os bandidos usam uma foto do médico e se passam por ele, pedindo dinheiro para outras pessoas.
Ele afirmou que a última vez que teve a conta clonada foi na quarta-feira. “Entraram em contato com familiares e se passaram por mim, falando que eu precisava de pagar um fornecedor com urgência. Graças a Deus ninguém entregou o dinheiro”. A vítima fez boletim de ocorrência.
Saiba mais
Aumento de casos
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O numero de golpes de WhatsApp estão aumentando ao longo dos anos. Somente de janeiro até agosto deste ano, cerca de 60 mil pessoas foram vítimas de bandidos no Estado.
Sequestro x clonagem
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Especialistas destacam dois tipos de golpes: o sequestro da conta do WhatsApp e a clonagem. O que os criminosos buscam com as formas é a mesma coisa: obter vantagem financeira das vítimas.
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O sequestro acontece quando o criminoso invade a conta da vítima, fazendo com que ela perca completamente o acesso. A partir daí ele passa a contactar os familiares e amigos da vítima, simulando situações de urgência e pedindo dinheiro.
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Existem várias forma de conseguir o acesso à conta da pessoa. Uma delas é usando o código de verificação do WhatsApp.
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Já na clonagem o criminoso não invade a conta da vítima, ele usa o nome e uma foto dela, em outro número de telefone.
Como se prevenir
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Reforçar a segurança do aparelho com antivírus e aplicativos que enviam alertas de segurança.
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Tenha cuidado ao clicar em links compartilhados pelo WhatsApp ou redes sociais. Desconfie de promoções, notícias sensacionalistas e descontos.
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Não faça transferências bancárias para uma pessoa sem se certificar (por meio de uma ligação telefônica) que é ela mesmo quem está pedindo.
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Faça a verificação em duas etapas para aumentar a segurança e evitar golpes. Essa ferramenta está disponível no próprio WhatsApp e pode ser feita da seguinte forma:
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Vá em Configuração, clique na opção “Conta”. Na próxima tela, clique em “Confirmação em duas etapas”. Depois clique em “Ativar”.
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Cadastre um código e não repasse para ninguém. Cadastre também um e-mail, clique em confirmar e salvar.
O que fazer se for vítima?
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Crie uma rede de informação e avise às pessoas, através de redes sociais e telefonemas. Explique o que aconteceu e peça que não depositem dinheiro se alguém pedir.
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Em seguida, envie um e-mail para [email protected] com o título “Perdido/roubado: desative a minha conta”. O WhatsApp vai receber o pedido, analisar e desativar.
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Depois, é preciso recuperar a conta. Uma das formas é baixar o WhatsApp de novo e tentar fazer um novo cadastro, usando o número perdido. Mas nem sempre isso funciona.
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A segunda possibilidade é esperar sete dias e instalar o WhatsApp novamente. Com o passar desse tempo é mais fácil conseguir.
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A vítima pode usar o aplicativo WhatsApp Business, onde ela pode recuperar a conta em um prazo de 10 a 12 horas.
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Depois, é preciso ir à uma delegacia e registrar o boletim de ocorrência.
Fonte: Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital e pesquisa AT.


