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Cidades

Fake news pode atrapalhar campanha de vacinação

Em meio aos testes e a corrida para a produção da vacina do novo coronavírus, o combate à doença já ganha dois problemas: a resistência de parte da ...

Médico infectologista Paulo Peçanha

Última atualização

Em meio aos testes e a corrida para a produção da vacina do novo coronavírus, o combate à doença já ganha dois problemas: a resistência de parte da população e as fake news.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 9% dos brasileiros não iriam se vacinar contra a Covid-19 – um posicionamento que ganha força com as notícias falsas que estão sendo espalhadas.

A preocupação dos especialistas em saúde é de que essa campanha contra a vacina cresça ainda mais e comprometa os esforços para imunizar a população e acabar com a pandemia.

Médico infectologista Paulo Peçanha (Foto: Arquivo/AT)“Para alcançar uma cobertura que interrompa a transmissão da doença, é preciso uma cobertura alta, acima de 95% do público-alvo, por exemplo. Por isso, é preciso ter um trabalho de convencimento da população, mostrando que a vacina é segura e eficaz”, explicou o infectologista Paulo Peçanha.

Nas redes sociais, grupos antivacina espalham mentiras sobre os estudos. Um dos posts diz, por exemplo, que um dos testes está utilizando células de fetos abortados. Em outra publicação falsa, a informação é de que a vacina seria capaz de modificar o DNA.

Algumas fake news são ainda mais conspiratórias, como a que diz que o bilionário Bill Gates vai utilizar a vacina para implantar microchips nas pessoas.

A infectologista da Rubia Miossi acredita que desinformações como essas vão atrapalhar o controle da doença. “A cobertura vacinal pode ficar prejudicada. Por enquanto, estamos de mãos atadas sem uma vacina. E temos exemplo de doenças que só foram controlados por vacinas, como o sarampo”, disse.

O percentual da população que diz não ter a intenção de tomar a vacina, segundo o Datafolha, é composto por pessoas que dizem não usar máscara, estar vivendo sem nenhum tipo de isolamento e não ter medo de ser infectado.

Apesar do movimento contrário, o infectologista Paulo Peçanha ressalta que a vacina está sendo mais valorizada. “A melhor arma que nós vamos ter vai ser a vacina. Não temos outro meio para controlar, pois os medicamentos não são 100% eficazes”, disse. No Brasil, atualmente, há acordos com três frentes de pesquisa internacionais para produção da vacina.
 

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