Em meio aos testes e a corrida para a produção da vacina do novo coronavírus, o combate à doença já ganha dois problemas: a resistência de parte da população e as fake news.
Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 9% dos brasileiros não iriam se vacinar contra a Covid-19 – um posicionamento que ganha força com as notícias falsas que estão sendo espalhadas.
A preocupação dos especialistas em saúde é de que essa campanha contra a vacina cresça ainda mais e comprometa os esforços para imunizar a população e acabar com a pandemia.

Nas redes sociais, grupos antivacina espalham mentiras sobre os estudos. Um dos posts diz, por exemplo, que um dos testes está utilizando células de fetos abortados. Em outra publicação falsa, a informação é de que a vacina seria capaz de modificar o DNA.
Algumas fake news são ainda mais conspiratórias, como a que diz que o bilionário Bill Gates vai utilizar a vacina para implantar microchips nas pessoas.
A infectologista da Rubia Miossi acredita que desinformações como essas vão atrapalhar o controle da doença. “A cobertura vacinal pode ficar prejudicada. Por enquanto, estamos de mãos atadas sem uma vacina. E temos exemplo de doenças que só foram controlados por vacinas, como o sarampo”, disse.
O percentual da população que diz não ter a intenção de tomar a vacina, segundo o Datafolha, é composto por pessoas que dizem não usar máscara, estar vivendo sem nenhum tipo de isolamento e não ter medo de ser infectado.
Apesar do movimento contrário, o infectologista Paulo Peçanha ressalta que a vacina está sendo mais valorizada. “A melhor arma que nós vamos ter vai ser a vacina. Não temos outro meio para controlar, pois os medicamentos não são 100% eficazes”, disse. No Brasil, atualmente, há acordos com três frentes de pesquisa internacionais para produção da vacina.