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Economia

Duas mil lojas estão desocupadas por conta da pandemia

A crise econômica do coronavírus provocou demissões, fez com que as pessoas perdessem a renda e ainda ocasionou o fechamento definitivo de milhares ...

Mônica era dona de papelaria, mas fechou as portas. “Passei a vender bolo”, disse ela, que agora guarda as máquinas de fotocópia em casa

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A crise econômica do coronavírus provocou demissões, fez com que as pessoas perdessem a renda e ainda ocasionou o fechamento definitivo de milhares de lojas pelo País. Somente no Estado, cerca de 2 mil estabelecimentos não resistiram e optaram por encerrar as suas atividades.

Grande parte desses comércios fica na Grande Vitória, em bairros como Praia do Canto, Jardim da Penha, Praia da Costa e Jardim Camburi. Há ainda diversas lojas de shoppings que tiveram que fechar. Entre os polos comerciais mais atingidos, destaca-se o da Glória, em Vila Velha.

De acordo com o diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Carlos Bergamin, as lojas que não resistiram à crise, geralmente, são as que já estavam com alguns problemas.

“Negócios que já estavam mal resolvidos e com dificuldades, não aguentaram mesmo. Mas, estamos em uma situação bem melhor do que a gente imaginava. Pintamos um cenário muito mais pessimista no começo, mas as empresas tomaram as providências”, disse.

O também diretor da Fecomércio, José Antônio Pupim, explicou que diversos motivos levaram ao fechamento das lojas: impossibilidade de pagar as contas, de bancar a folha de pagamento de funcionários e também os encargos sociais.

“Quando a gente passa nos grandes centros, a gente percebe muitas placas de aluga-se. É uma coisa que assusta muito e é uma realidade que a gente não gostaria de encarar. Geralmente, quando um empresário decide fechar, ele logo entrega o ponto”, disse.

A diretora da Uniglória, Ana Claudia Groberio, afirmou que até mesmo na rua principal do polo, é possível observar portas fechadas. “Tem muito mais pontos vazios do que normalmente. Ficamos apreensivos, mas esperamos que as coisas se normalizem”.

Quem não resistiu e teve que fechar as portas foi a comerciante Mônica de Oliveira Farias. Ela era dona de uma papelaria no Centro de Vitória. “Entreguei o ponto, pois já não dava para arcar com as despesas. Passei a vender bolos em casa e assim vou me sustentando”.

Mônica era dona de papelaria, mas  fechou as portas. “Passei a vender bolo”, disse ela, que agora guarda as máquinas de fotocópia em casa (Foto: Divulgação)

Saída para muitos é migrar para vendas na internet

Impossibilitados de manter suas atividades em uma estrutura física durante a pandemia da Covid-19, muitos comerciantes resolveram fechar as portas, mas continuaram a vender seus produtos no ambiente virtual. Desta forma, conseguiram manter alguma renda.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Comerciários (Sindicomerciários), Rodrigo Rocha, ainda não é possível fazer um levantamento numérico, mas a nova forma de comercializar foi importante para o segmento.

“Não dá para saber se é algo permanente, se eles estão procurando se desfazer da mercadoria e fechar. Pode ser um processo de reestruturação. É como se tivessem dado um passo trás para voltar com um pouco de fôlego”.

Ele falou que o e-commerce fez com que alguns setores superassem a marca de vendas do mesmo período do ano anterior.

“Algumas empresas já tinham as plataformas online, mas estruturaram melhor. Hoje, existe uma perspectiva de recuperação mais rápida do que se imaginava, mas ainda é preciso cautela”, disse.

Situação poderia ser pior

Algumas medidas adotadas pelos governos estadual e federal foram importantes para ajudarem as empresas a atravessarem a pandemia do coronavírus. Especialistas do setor afirmaram que a situação poderia ter sido muito pior, com mais lojas fechando as portas e demitindo funcionários.

Bergamin disse que medidas adotadas pelos governos do Estado e federal foram importantes para ajudarem as empresas a atravessarem  a pandemia (Foto: Dayana Souza — 21/01/2019)José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), citou a suspensão de contrato de trabalho e corte de carga horária, a prorrogação do pagamento de impostos e a negociação de contratos de aluguéis.

“Há ainda os fornecedores que aumentaram os prazos para as empresas. Isso tudo foi importante para que os comércios fizessem a travessia deste período. Se não fosse esse conjunto de fatores, a situação poderia ter sido ainda pior, pois o capital de giro das empresas foi muito afetado”.

Ele destacou a ação de alguns comerciantes, em baixar preços e realizar promoções. Ainda segundo Bergamin, o sábado que antecedeu o Dia dos Pais foi um dia de boas vendas para o comércio. “Todo mundo resolveu relaxar e consumiu. As vendas foram boas”.

Bergamin afirmou que acredita que novas demissões não devem acontecer. “Acredito que quem tinha que demitir, fez. Podem ocorrer mais dificuldades quando o comércio tiver que pagar os impostos que foram prorrogados, por exemplo. Mas teremos as vendas de final de ano, e uma coisa pode compensar a outra. É o que esperamos”, frisou.

Roupas e calçados são os setores mais afetados

Entre os diversos segmentos da área comercial que foram atingidos com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, destacam-se os de roupas e calçados. Também sofreram os setores de maquiagem/beleza e perfumaria e o comércio de mercadorias de uso pessoal.

Segundo o diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Carlos Bergamin, cada segmento teve um impacto diferente. “A confecção pronta, por exemplo, foi a zero. Como boa parte das pessoas parou de sair de casa, também parou de consumir”, explicou Bergamin.

Por outro lado, ele destacou que setores como o do atacado têxtil e farmacêutico, não tiveram queda. O diretor acredita que o governo do Estado agiu com cautela e soube equilibrar bem a situação da pandemia, não decretando o fechamento total da economia.

“Acho que houve uma boa administração em relação à pandemia no Estado. Não fechou tudo. E agora, com a diminuição da taxa de transmissão, a situação tende a ficar cada vez mais tranquila”.


Saiba mais


Registro de demissões

  • Em março, foi decretada a pandemia do coronavírus e, com isso, o governo estadual determinou que somente serviços essenciais poderiam funcionar. Além disso, foi estimulado o isolamento social das pessoas.

  • Com o passar do tempo, as lojas puderam reabrir aos poucos e com limitações de horário.

  • Porém, com dificuldade de pagar as contas, cerca de 2 mil lojas interromperam as suas atividades do Estado. Além disso, milhares de demissões foram registradas.

  • Os principais motivos que fizeram os estabelecimentos a fecharem as portas foram as dificuldades de pagar as contas mensais e também a folha de pagamento dos funcionários.

  • Os seguimentos mais afetados foram os de venda de produtos para uso pessoal, como roupas, perfumaria, maquiagem e calçados.

  • Por outro lado, as áreas farmacêutica e de atacado têxtil, por exemplo, não registraram quedas.

  • Medidas dos governos estadual e federal como a suspensão do contrato de trabalho e o corte de carga horária, além da prorrogação do pagamento de impostos, ajudaram os comerciantes a atravessarem a crise.

  • Os comerciantes esperam que até outubro, as lojas possam voltar a funcionar com o horário normal.

Fonte: Fecomércio.

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