Ao anunciar possíveis regras de vacinação contra a Covid-19, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, declarou ontem que quem já foi contaminado pelo novo coronavírus pode não fazer parte da campanha de imunização – quando houver uma fórmula comprovadamente eficaz.
Dimas Covas acredita que, uma vez liberada a vacina, o programa nacional irá aplicar metodologia similar à da imunização contra a gripe e deverá, ao menos inicialmente, excluir quem já teve a doença ou contato com o vírus.
“Até pode vacinar (quem já teve Covid-19), não necessariamente. Num primeiro momento (de vacinação), aqueles que não tiveram a infecção e, num segundo, aqueles que tiveram”, disse.
“Obviamente, o indivíduo que já teve a infecção tem uma proteção natural, existe uma certa dúvida se isso é protetor, por quanto tempo, mas já existe essa proteção”, acrescentou. As declarações foram feitas durante uma ação de testagem em moradores da Brasilândia, na Zona Norte da capital paulista.
Dimas Covas também disse acreditar que casos ativos de Covid-19 devem ser registrados no Brasil até 2021.
“Como essa epidemia ainda vai durar alguns meses, seguramente, atravessaremos o ano com casos ativos, então, a vacina será muito útil nesse sentido”.
“Imagino que, com o nível de prevalência que temos hoje, uma boa parcela da população, lá no começo do ano, já teria sido acometida pela infecção”, comentou.
O Instituto Butantan é parceiro de um laboratório para a produção da Coronavac, vacina chinesa contra o coronavírus que está em fase final de testes. A previsão é de que o instituto receba, até o final deste ano, 15 milhões de doses. Além das doses já prontas, o instituto também receberá material para poder dar início ao processo de produção da vacina em São Paulo.
Covas acredita que, com as doses suficientes, a campanha de vacinação possa ser concluída até a metade do próximo ano.
