
Os três conferentes estavam de bicicleta. Quando chegaram na entrada de Manguinhos, por volta das 19h, dois suspeitos saíram de um matagal e anunciaram o assalto.
“Levaram as mochilas com pertences de todo mundo e falaram para eles saírem sem olhar para trás. Quando eles viraram as costas, o cara atirou. Segundo o que o amigo dele me contou, ninguém reagiu. Mesmo assim, o cara atirou, na covardia”, contou a mulher do conferente. Ela é cuidadora de idosos, tem 51 anos, e preferiu não se identificar.
Mesmo ferido, o marido dela tentou pedalar, mas não conseguiu. Por isso, um amigo o colocou na garupa e foi pedir ajuda numa praça do bairro. Lá, eles encontraram um pescador, de 60 anos.
“Eu estava assistindo ao jogo e apareceram três rapazes em duas bicicletas. Eles encostaram no banco e pediram pra avisarem à esposa do rapaz que ele tinha sido baleado. Liguei para o Samu, mas como estava demorando e o cara não aguentava de dor, eu mesmo levei para o hospital”, lembrou o pescador, sem se identificar.
Em casa, a mulher do conferente já estava preocupada com a demora do marido. Por volta das 22h, ela recebeu a notícia. “Uma vizinha veio me avisar. Eu estava angustiada, mas graças a Deus o pior não aconteceu”, relatou a cuidadora.
A vítima foi encaminhada para o Hospital Jayme Santos Neves, onde permanece internada.
Pressentimento
Um dia antes de ser baleado, o conferente comentou com a mulher que estava com medo de ser assaltado no trajeto que faz do trabalho para casa. Ele, que passa por esse caminho há 2 anos, costumava ir de ônibus para o serviço. Com a pandemia, passou a andar de motocicleta, mas, como o veículo estava no conserto, teve que usar a bicicleta.
“Na segunda ele disse que estava com medo de ser assaltado, preocupado em como ia conseguir correr com essa bicicleta”, ressaltou a cuidadora.
Agora, ele não vê a hora de conversar com o marido. “Ainda não pude visitá-lo no hospital, só tive notícias pelos amigos. Ontem ele estava estável, conversando. Graças a Deus o tiro não pegou em nenhum órgão”, ponderou.