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Economia

Vovôs em alta nas empresas

Eles têm experiência, sabedoria, maturidade e conhecimento acumulado em décadas de trabalho e vivência profissional. Os idosos são observados por ...

Ademir Fassarella trabalha há 37 anos no ramo comercial e não quer saber de parar: “Não sei ficar parado”

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Eles têm experiência, sabedoria, maturidade e conhecimento acumulado em décadas de trabalho e vivência profissional. Os idosos são observados por empresas, que, para algumas funções, preferem os vovôs.

Esses profissionais, mesmo em tempos de pandemia, seguem valorizados em algumas atividades. Instituições do Sistema S, por exemplo, também têm predileção pela experiência da terceira idade.

Ademir Fassarella trabalha há 37 anos no ramo comercial e não quer saber de parar: “Não sei ficar parado” (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

Muitos desses idosos já criaram os filhos, curtem os netos, mas não abandonam o batente. Ademir Fassarella, 64, por exemplo, é gerente na loja de Móveis Conquista, em Vila Velha. Trabalha há 37 anos no ramo e não quer parar tão cedo.

Tomando os cuidados necessários para não se contaminar com o novo coronavírus, ele contou que sente sua experiência valorizada e percebe o respeito e a confiança de sua equipe, formada por 11 pessoas: “Adoro trabalhar, gosto do que faço e não sei ficar parado.”

Outro local que valoriza a experiência dos vovôs é uma tradicional loja de sapatos na avenida Jerônimo Monteiro, no centro de Vitória. Lá, praticamente todos os empregados são homens idosos.

Lúcia Maria contou que, ao assumir como diretora, encontrou vários professores que foram seus alunos na faculdade (Foto: Divulgação)O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi) de Aracruz têm como diretora a professora Lúcia Maria Giostri Cardoso, 60 anos. Ela revelou uma situação inusitada ao participar do processo seletivo para o cargo: “Havia candidatas que foram minhas alunas na faculdade.”

Ao conquistar o posto, deparou-se com professores que também foram seus alunos, na faculdade: “É um orgulho trabalhar com meus alunos. Vejo neles a importância do trabalho que fiz, ajudei a prepará-los e agora acompanho a evolução tecnológica com eles.”

Ela destacou que, para se manter competitiva no mercado de trabalho, aposta no aprendizado constante. Com cinco pós-graduações, nunca parou de estudar.

“Gosto do que faço e me atualizo constantemente. Agora, por causa da pandemia, tive de aprender a usar várias plataformas, porque estou em home office. E as reuniões são pelo Microsoft Teams”.

Ela adora contribuir, mas sua vida não é só trabalho: tem três filhos e três netos. “Amo curtir os netinhos”, diz ela, que gosta de rock e de passear de moto.

Trabalho por conta própria para melhorar a remuneração

Mesmo depois de aposentado, muitas são as possibilidades para continuar trabalhando. Entre elas, abrir o próprio negócio ou prestar serviço por conta própria.

Antônio: “Adoro o que faço” (Foto: Acervo pessoal)O contador e advogado Antônio de Castro Reis, de 78 anos, já é aposentado mas continua trabalhando. Ele praticamente sempre trabalhou como contador, mas agora, por conta própria, advoga para complementar a renda, pegando causas trabalhistas, de direito imobiliário e de direito de família: “Adoro o que eu faço”, diz.

Para o administrador e eletricista Wynther Luiz da Silva, 64 anos, infelizmente no Brasil, a experiência não é muito valorizada.

“Sou aposentado, mas como a aposentadoria nunca dá, preciso trabalhar para complementar a renda”, afirmou. Com as dificuldades impostas pela pandemia, ele tem feito trabalhos como freelancer.

Engenheiro se inspirou na avó para criar startup

Inspirado pela avó, que trabalhou até os 82 anos, o engenheiro de software Mórris Litvak, criou, em 2015, a startup Maturi. Por meio de uma plataforma, ela conecta empresas que buscam pessoas de 50 anos ou mais para trabalho com os candidatos a vaga de emprego.

Embora tenha sede em São Paulo, essa conexão é feita entre empresas e candidatos de todo o País, inclusive do Espírito Santo. E agrega desenvolvimento pessoal, capacitação profissional e empreendedorismo.

Mórris Litvak: ajuda aos idosos (Foto: Divulgação)
“Minha avó trabalhou até os 82 anos. Ela era secretária e tradutora em uma empresa. Parou de trabalhar depois de uma queda e a partir daí a saúde dela passou a decair. Quando ela faleceu, comecei a estudar mais sobre o assunto, ninguém falava sobre isso. Pesquisei e vi que não tinha nenhum tipo de iniciativa para ajudar as pessoas mais maduras a se recolocarem no mercado”, contou.

Ele salientou que 1.500 pessoas já se recolocaram no mercado por meio da ferramenta. “Temos um projeto de sensibilização das empresas para quebrar o estereótipo para contratar, manter e integrar essas pessoas com os jovens”.

Segundo ele, com a pandemia caiu a busca por profissionais mais maduros, mas de julho para cá as empresas começaram a voltar a procurar.

Pandemia dificulta contratação

O fato de os idosos fazerem parte do grupo de risco, tendo mais chance de evoluir para um quadro mais grave, caso contraíam o novo coronavírus (Covid-19), faz com que empresas tenham receio de contratar esses profissionais.

Henrique Fraga deu ênfase aos cuidados que as empresas precisam ter com seus empregados neste período de pandemia (Foto: Divulgação)O advogado especialista em Direito de Trabalho, Henrique Fraga, explica que o empregador tem receio de contratar essa mão de obra porque ela tem mais chance de evoluir para um caso grave da doença, ter de ficar afastado e a empresa acaba ficando com o posto de trabalho ocupado, sem a atuação do profissional.

Ele lembra que o STF abriu a possibilidade que a Covid-19 seja considerada doença ocupacional. Ele detalha que para comprovar esse tipo de situação é necessário provas de negligência por parte da empresa em relação aos cuidados necessários.

Ele explica que se o empregador não cumprir com os protocolos de higienização, disponibilização de álcool em gel, máscara, distanciamento social e afastamento de pessoas com sintomas, entre outras medidas, ele pode ser eventualmente responsabilizado por essa conduta.

Henrique destaca que as empresas precisam voltar a trabalhar, e devem fazer isso seguindo as normas de segurança e prevenção.

“Se o idoso trabalha em home office e pega, não tem uma responsabilidade do empregador. Não há nenhuma proibição”, diferencia. “As empresas que conseguirem reinserir esse trabalhador no mercado, com segurança, serão mais valorizadas pela sociedade. Ela vai estar desempenhando com maestria seu papel social”, observou.
 

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