A menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio em São Mateus e passou por um aborto pode entrar em programas de proteção, de acordo com o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. Ele explicou que o pedido pode ser feito pelo Ministério Público.
“Para proceder a inclusão da paciente em programas de proteção é necessário que exista uma manifestação do Ministério Público. Estaremos ofertando a possibilidade de ser incluída em alguns programas que o Espírito Santo garante”, adiantou.

Além disso, ele declarou ser necessário preservar a menina assim que ela retornar ao Espírito Santo. O receio é de que, ao retonar para casa, em São Mateus, a família possa sofrer represálias.
“Precisamos garantir a essa criança a preservação da sua integridade, do sigilo que o caso exige. Se permanecermos dando publicidade podemos acabar infringindo outros direitos da menor”, disse.
Desde o momento em que o caso veio a público, movimentos pró e contra o aborto foram promovidos, inclusive fora do Estado. Familiares da menina foram pressionados a não permitir o abortamento. Um grupo chegou a ir duas vezes à casa da menina, com argumentos religiosos e citando um suposto apoio da ministra de Direitos Humanos, Damares Alves.
Parentes da criança registraram boletim de ocorrência na polícia contra um pré-candidato a vereador, que estaria no meio do grupo. Esse grupo será investigado pela Promotoria da Infância e Juventude de São Mateus.
Por outro lado, na frente do hospital em Pernambuco, onde a mesma realizou o aborto no domingo, cerca de 200 manifestantes exigiam que o procedimento não fosse realizado e chegaram a chamar o médico de “assassino”.