As agências dos Correios no Estado continuam funcionando mesmo com a greve anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Correios, Prestação de Serviços Postais, Telégrafos, Encomendas e Similares do Estado (Sintect-ES).
A paralisação teve início na segunda-feira, e há previsão de atrasos nas entregas. Trata-se de uma greve nacional deflagrada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), com apoio dos sindicatos estaduais.
A categoria afirma que 70 cláusulas de um acordo coletivo que funcionaria até 2021 foram quebradas pela empresa, como descreve o site da Fentect. Entre elas está o pagamento de adicional de risco e de vale-alimentação. A possível privatização da empresa também é outro motivo apontado pela federação para a paralisação das atividades.
A Fentect informou que ontem que a greve teve adesão de 70% dos trabalhadores em todo o País. Segundo a entidade, quase 100 trabalhadores morreram de Covid-19. Já os Correios informaram que 83% dos funcionários trabalharam normalmente ontem.
De acordo com o presidente do Sintect-ES, Antônio José Alves Braga, a adesão está sendo feita de forma progressiva. “Isso explica a não paralisação completa dos serviços até o momento, mas que a tendência é de que nos próximos dias mais trabalhadores participem do movimento”, explica.
O presidente do Sintect-ES explica que os Correios possuem cerca de 2 mil funcionários no Estado, mas que muitos estão afastados do trabalho por serem do grupo de risco do novo coronavírus.
Os Correios informaram, em nota, que foram feitas medidas para proteger os funcionários durante a pandemia, redirecionando empregados do grupo de risco para o trabalho remoto sem redução salarial. Além disso, também diz que não retirou direitos dos funcionários.
“Apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, alinhando a estatal ao que é praticado no mercado. Os trabalhadores continuam tendo acesso ao auxílio-creche e aos tíquetes refeição e alimentação”.
A estatal destacou que a redução de despesas prevista com medidas de contenção em pauta aplicadas no País é de R$ 600 milhões anuais. Já as reivindicações da categoria custariam R$ 1 bilhão no mesmo período, algo considerado “impossível” pelos Correios.
Funcionários reclamam da perda de benefícios
Os funcionários dos Correios reclamam que a estatal retirou uma série de benefícios, como o pagamento de vale-alimentação, adicional de risco e principalmente criticam a falta de cuidado com a saúde dos funcionários durante a pandemia do coronavírus.
O secretário geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, destacou que a categoria teve de entrar na Justiça para ter equipamentos e garantir o afastamento de pessoas do grupo de risco.
“A Fentect e os sindicatos tiveram de acionar a Justiça para garantir equipamentos de segurança, álcool em gel, testagem e afastamento (de pessoas) dos grupos de risco e aqueles que coabitam com grupos de risco ou possuem crianças em idade escolar”.
Segundo o presidente do Sintect-ES, Antônio José Alves Braga, os funcionários que trabalham nas ruas não estão passando por testes, e que a empresa só passou a fornecer máscaras e álcool em gel após intervenção da entidade.
“A empresa não nos fornece nem a informação sobre o número de funcionários que já pegaram a Covid. O trabalhador atua na linha de frente e não está tendo proteção”.
Os Correios informaram em nota que foram efetuadas medidas para proteger os funcionários durante a pandemia, citando, por exemplo, o redirecionamento de empregados que são parte do grupo de risco para o trabalho remoto sem qualquer redução salarial.
