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Merendeiras já distribuíram mais de 35 mil marmitas e pedem doações

Um grupo de mulheres do bairro Jardim Tropical, na Serra, decidiu unir forças durante a pandemia para ajudar famílias carentes da região. A ...

Grupo uniu forças para ajudar quem precisa durante a pandemia

Última atualização

Grupo uniu forças para ajudar quem precisa durante a pandemia (Foto: Acervo pessoal)

Um grupo de mulheres do bairro Jardim Tropical, na Serra, decidiu unir forças durante a pandemia para ajudar famílias carentes da região. A merendeira Marina Conceição dos Santos se juntou com mais quatro amigas – uma delas também merendeira – e a mãe dela para fazer marmitas, que são doadas a quem não tem o que comer em casa.

Segundo a merendeira, desde abril, quando o trabalho voluntário começou, mais de 35 mil quentinhas já foram entregues para famílias carentes e moradores em situação de rua de Jardim Tropical e bairros do entorno, já que a notícia da refeição doada por elas se espalhou pela região.

No entanto, a dificuldade também chegou para o grupo que agora pede a ajuda das pessoas com doações de alimentos e dinheiro para manter o trabalho durante a pandemia e continuar alimentando cerca de 120 pessoas, diariamente, de segunda a sexta-feira, numa fila que se forma ao lado do campinho de futebol do bairro.

Marina é funcionária de uma empresa terceirizada que fornece a alimentação de alunos em uma escola do município. Com a chegada da pandemia do novo coronavírus ao Estado e o surgimento dos primeiros casos, o governo decretou o fechamento das escolas. As unidades de ensino seguem sem previsão de retorno das aulas presenciais, por isso Marina precisou parar de cozinhar para os alunos.

Em casa, ela acompanhava a onda de solidariedade das pessoas que doavam alimentos para quem não tinha o que comer em casa.

“Pensei e falei para minha mãe para gente fazer uma coisa diferente. No lugar de juntar alimentos para doar, se a gente desse uma marmita pronta já seria mais fácil. Muitas das pessoas que recebem esses alimentos doados são moradores de rua e famílias carentes que não têm onde cozinhar”, explicou ela.

Assim nasceu a ideia de doar as marmitas. A primeira distribuição aconteceu no dia 4 de abril.

“Aqui no meu bairro tem um albergue com muitos moradores de rua. Na época, ficava muito morador de rua na minha esquina, eu comentei com eles que iria fazer marmita para doar no dia seguinte e falei para avisar aos outros. Minha avó, minha mãe e eu juntamos um pouquinho do dinheiro de uma e da outra e compramos arroz, feijão e salsinha. Lembro até hoje, deu para fazer 70 marmitas e doamos. Postei a foto das marmitas no Facebook e as pessoas começaram a me procurar para doar alimentos”, recorda ela.

Com a divulgação da primeira doação, no dia seguinte, a produção de marmitas mais do que dobrou, chegando a 150 refeições, graças às contribuições dos amigos e desconhecidos que entraram em contato com Marina pelas redes sociais.

A procura por marmitas foi aumentando e mais pessoas quiseram ajudar, possibilitando a esse grupo de mulheres preparar 250 quentinhas, de segunda a sexta, para alimentar pessoas que passam fome na região. “A gente já doou umas 35 mil marmitas tudo fruto de doação. São pessoas que chegam e doam uma cesta básica, um quilo de sal”, afirma Marina.

A produção começa cedo. Às 7h40, elas se reúnem em uma casa alugada para começar a preparar os alimentos que vão ser servidos ao meio-dia na fila que começa a se formar ainda às 8h40.

Depois que termina a distribuição, ainda tem o trabalho de arrumar o local, lavando as vasilhas. O expediente só termina por volta das 13 horas.

Dificuldade

No momento em que as regras de funcionamento de comércio são flexibilizadas e os números da pandemia parecem se estabilizar no Estado, a dificuldade para essas mulheres manterem o trabalho chegou.

Alimento é entregue a famílias carentes (Foto: Acervo pessoal)Marina explica que alguns moradores em situação de rua conseguiram se conciliar com a família e voltaram para casa, já outras pessoas, que viviam de bicos, conseguiram trabalho. No entanto, ainda há uma fila de 120 pessoas que precisam ser alimentadas. “Têm muitas histórias nessa fila”, revela.

A merendeira conta que, nesta terça-feira (25), não terá marmita. O motivo: não tem arroz. “Hoje, uso 15 quilos de arroz, antes era 25 quilos. Por mais que minha demanda abaixou, ainda é muita coisa. Eu só vou conseguir fazer na quarta (26), porque hoje (segunda, 24) uma pessoa doou R$ 50 e vou conseguir ir ao mercado comprar o arroz”, disse ela.

Segundo ela, um senhor ajudou durante um mês, contribuindo toda semana com 150 quilos de arroz, o que garantia a confecção das marmitas. Além disso, outro senhor doa cebola, tomate, alho e pimentão, enquanto que uma senhora de Nova Almeida, também na Serra, ajuda com as embalagens.

Fora isso, ela ainda enumera que há despesas com o aluguel da casa – o grupo só tem dinheiro para o próximo -, gás, luz e energia.

Como ajudar

Para manter a distribuição das marmitas a quem precisa, Marina ressalta que qualquer ajuda é bem vinda seja ela em forma de alimento ou em doação de valores.

Grupo precisa de doações para manter o trabalho (Foto: Acervo pessoal)“Como é almoço pode doar mantimentos, como arroz, feijão, salsicha, sardinha o que for. Temos três fogões e, hoje, o gás de um deles acabou. Tive que pegar com o menino para pagar amanhã. Da forma como quiser nos ajudar é bem vindo”, garante.

“Eu entendo que pararam as doações, porque as pessoas acham que o comércio abriu acabou a pandemia. Mas não é isso. A gente ver, diariamente, pessoas novas vindo pegar a marmita, pessoas de outros bairros, como Central Carapina e José de Anchieta, vem, alguns, a pé para buscar essa marmita. A dificuldade não acabou. Pelo contrário, muita gente não conseguiu emprego ainda”, frisa Marina.

Quem quiser ajudar o grupo pode entrar em contato com a Marina pelo número 99759-1647. A merendeira também recebe doações para o projeto pelo PicPay @marina.festas.

Para conferir o trabalho da distribuição das quentinhas e também ajudar outra opção é pelas redes sociais.
Facebook: Marina Santos
Instagram: Marinafestas

Quem quiser contribuir financeiramente pode fazer depósito e transferência bancária.

Banco Caixa Econômica
Agência 4607
Operação 013
Conta: 37675
Nome: Marina Conceição dos Santos
 

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