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Motoboy usa intervalos das entregas para ler livros

A história de Fabián Infante poderia ser contada em um livro. Uruguaio que se mudou para o Brasil após um acidente grave, o motoboy e artesão ...

Vivendo em Vitória desde 2014, Fabián Infante lê, em média, um livro por semana: “Ajuda a fortalecer o idioma”

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A história de Fabián Infante poderia ser contada em um livro. Uruguaio que se mudou para o Brasil após um acidente grave, o motoboy e artesão encontrou, em Vitória, uma vida nova e, nos livros, a forma de alimentar seu conhecimento e imaginação, além de aprender mais sobre a língua portuguesa.

Fabián faz entregas de moto para um restaurante italiano da capital, na hora do almoço, e para aplicativos, à noite. Entre uma entrega e outra, ele está sempre com um livro nas mãos. Por isso chega a ler, em média, um livro por semana. O hábito dele nesses intervalos é bem diferente de seus colegas.

“Enquanto esperam, os motoboys ficam mais no celular, que é o que vejo mais, ou se juntam em grupo e ficam conversando. Mas eu não gosto muito não. Em grupo é aquela confusão e muita fofoca (risos). Prefiro ficar lendo”, conta o uruguaio de 30 anos.

Morador de Itararé, ele também produz artesanato hippie, como cordões e pulseiras, para vender na Praça dos Namorados e em frente à Ufes, em Goiabeiras. Mas agora passou a fazer entregas por causa da pandemia.

Atualmente, ele carrega na mochila a obra “O Herói Perdido”, de 440 páginas, do escritor norte-americano Rick Riordan. O livro da vez já é um dos favoritos de Fabián, juntamente com “As Veias Abertas da América Latina”, do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, seu autor favorito.

“Prefiro livros em espanhol, minha língua, mas aqui é mais fácil achar em português, obviamente. E isso é bom. Uso para fortalecer o idioma. Aprendo palavras novas no meu dia a dia”, afirma o uruguaio.

Além das histórias dos livros, ele também tem a própria para contar. Em 2009, sofreu um grave acidente de moto, ao se chocar contra um carro, sem capacete, na cidade de Las Piedras, no Uruguai, e ficou 13 dias em coma. Quebrou 12 ossos do rosto e perdeu nove dentes.

“Trabalhava com distribuição em uma fábrica de vinhos. Mas, depois que acordei do coma, vi que queria mudar. Vim para o Brasil, morar em Florianópolis (SC), em 2013. No final de 2014, conheci Vitória e fiquei. Aqui é meu porto seguro”.

Vivendo em Vitória desde 2014, Fabián Infante lê, em média, um livro por semana: “Ajuda a fortalecer o idioma” (Foto: KADIDJA FERNANDES/AT)

“Gosto de ler biografias”

A Tribuna – Há quanto tempo tem o hábito de leitura?

Fabián Infante – Há muito tempo. Lembro quando era pequeno. Na escola, gostava muito de ler livros de histórias infantis. Depois, parei e voltei a ler há uns dez anos. Gosto muito de livros sobre História, como a da Guerra Fria, e biografias.
Em qual horário você lê? Já conseguiu convencer algum colega motoboy a ler também?

Leio sempre que sobra um tempo. Chego no restaurante às 11 horas e fico lendo até umas 11h30, 12 horas, que é quando começam a sair os pedidos. E de noite, quando entrego para os aplicativos, leio enquanto não sai pedido. Mas não consegui convencer ninguém ainda. Eles ficam mais no celular.

Consegue ler um livro por semana?

Em média, sim, mas depende. Quando pego para ler esses livros de super-heróis da Marvel, leio uns 30 por semana porque são muito pequenos e tem muitas imagens.

Você conhece quantos estados do Brasil? Por que escolheu Vitória para morar?

Já viajei muito. Conheço 13 estados. De vez em quando eu pego meu artesanato e viajo por aí. Mas sempre volto para Vitória porque aqui é meu “porto seguro”.

Qual será o próximo livro?

Não sei. Na verdade, não tenho muitos livros. Eu vou pedindo emprestado, trocando… Em Itararé, tem uma geladeira na rua, com livros e, de vez em quando, eu passo lá para dar uma olhada. Se tiver um de que goste, eu pego.

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