
Os dados foram colhidos em 2017 e 2018. A frequência do consumo de arroz, por exemplo, caiu de 84% para 76,1% nos últimos dez anos, embora o alimento ainda seja predominante na mesa brasileira.
A última edição da pesquisa havia sido feita em 2008 e 2009. O levantamento mostrou que o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados (como frutas, verduras e vegetais) também caiu, enquanto alimentos processados ou ultraprocessados ganharam mais espaço.
“Os tempos atuais exigem mais correria para a alimentação, e as pessoas, dessa forma, buscam itens mais práticos e baratos. A produção em escala dos processados e o excesso de oferta de salgadinhos, pizzas e sanduíches fizeram o preço cair em relação às refeições tradicionais”, explicou o economista Marcelo Loyola Fraga.
A frequência da ingestão do feijão passou de 72,8% para 60% em dez anos e o de carne bovina de 43,8% para 34,6%. O consumo de frutas também teve uma queda, de 45,4% para 37,4%. Em contrapartida, a ingestão de sanduíches e pizzas cresceu de 10,5% para 17% no mesmo período.
Segundo os dados do IBGE, a diminuição da ingestão de frutas se deu, principalmente, entre a parcela mais pobre da população. Por outro lado, o consumo de salada crua teve aumento. Além disso, mais da metade da população faz ingestão de sódio acima do limite aceitável, de duas gramas por dia, de acordo com a pesquisa.
O levantamento apontou ainda que houve queda no consumo de refrigerantes. No entanto, o item figura como o 5º mais consumido pelos brasileiros, só perdendo para arroz, feijão, café e sucos.
Outro dado apontado pelo IBGE é que a frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes do que entre adultos e idosos, exceto nos casos de batata inglesa. Os adolescentes ainda consomem quatro vezes mais pizza e o dobro de sanduíche do que os idosos.
Pesquisa garante compra saudável e econômica
Mesmo com o aumento dos preços de muitos alimentos, é possível fazer uma compra saudável e ainda economizar. Em primeiro lugar, é necessária uma pesquisa entre os supermercados. A diferença de valores pode ser grande.
“Uma das opções é não perder o hábito de pesquisar preços. Outra opção é buscar feiras de bairros, que geralmente têm preços mais acessíveis e produtos frescos”, afirmou o especialista em finanças Fabrício Nunes Azevedo.
Outra maneira de economizar é substituir alimentos. “Pode-se substituir os alimentos que tiveram aumento acima da inflação. Além disso, fazer pesquisas em mercados que ofereçam os preços mais baratos”, destacou o economista Marcelo Loyola Fraga.
Já a nutricionista Mariana Herzog ressaltou que é possível ter uma alimentação saudável mesmo com a falta de tempo. “Já existe delivery de refeições saudáveis. Além disso, a pessoa pode preparar comida para toda a semana”.
Da mesma opinião compartilha a nutricionista Pamela Vieira Monteiro Gonçalves. “Hoje existem diversos tipos de delivery saudáveis. Eu indico aos meus pacientes que não conseguem cozinhar com frequência a escolherem os que oferecem saladas, carnes magras, arroz e feijão”.
Especialistas fazem alerta para prejuízos à saúde
O consumo exagerado de comidas rápidas e alimentos processados pode levar a uma série de problemas de saúde, como perda de nutrientes e desenvolvimento de doenças, afirmam especialistas.
A nutricionista Mariana Herzog destacou alguns problemas.
“Pode impactar em doenças como obesidade, diabetes, além de aumentos de colesterol e pressão arterial. Quem consome mais fast food tende a perder nutrientes importantes, como fibras e vitaminas”, observou.
Segundo a nutricionista Pamela Vieira Monteiro Gonçalves, comidas rápidas, como pizzas, possuem alta concentração de sódio e conservantes. “Hoje existem os deliverys saudáveis, mas infelizmente a maioria ainda opta pelos lanches tradicionais como hambúrgueres, pizzas, esfihas e outros, que possuem alta concentração de sódio, gordura saturada e conservantes”