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Conselheira tutelar é acusada de induzir menores a denunciar abusos sexuais no Estado

Uma conselheira tutelar que atua em Ecoporanga, Norte do Espírito Santo, foi afastada de sua função após ser acusada de diversas irregularidades, ...

Cidade de Ecoporanga, onde atua a conselheira tutelar denunciada

Última atualização

Uma conselheira tutelar que atua em Ecoporanga, Norte do Espírito Santo, foi afastada de sua função após ser acusada de diversas irregularidades, como a retirada arbitrária de crianças e adolescentes de seus pais e também de induzir os menores a denunciar práticas de abusos sexuais.

A denúncia foi feita pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Ecoporanga, que ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) contra a conselheira tutelar por condutas incompatíveis ao exercício da função. A Justiça acolheu os pedidos da ação e determinou liminarmente o afastamento dela do cargo.

Cidade de Ecoporanga, onde atua a conselheira tutelar denunciada (Foto: Arquivo/AT)De acordo com a ação do MPES, a conselheira “apresenta postura antiética, antissocial, desrespeitosa e descumpridora das normas e hierarquia”.

Na ação, o Ministério Público afirma que ela retirou crianças e adolescentes de seus genitores para acolhimento em uma casa de passagem ou inserção em família extensiva/substituta, sem ordem judicial e sem a existência de risco efetivo.

Essa prática – fora dos casos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente – teria tido ainda a participação de outros conselheiros, que estão sendo investigados em outro inquérito civil.

Também na ação, o Ministério Público acusa a conselheira de induzir “adolescentes a denunciarem práticas de abusos sexuais e encaminhamento para exame de conjunção carnal de forma infundada, sendo que tais fatos vêm ocorrendo desde o primeiro mandato do cargo de conselheira tutelar”.

A ação tem como base um Inquérito Civil instaurado em 2018 pelo MPES, que ouviu 17 testemunhas, incluindo jovens que foram retirados de seus lares e colegas e ex-colegas de trabalho.

De acordo com as investigações, duas adolescentes foram retiradas da guarda dos pais pela conselheira, com o argumento de que elas teriam sido abandonadas pelos pais. Porém, segundo o Ministério Público, foi constatado após averiguação que o fato não ocorreu.

“Pelo contrário, as meninas estariam em suas casas recebendo o devido amparo dos responsáveis, após terem fugido da casa de passagem”, diz o MPES.

Com base nas acusações, o juiz Bruno Fritoli Almeida, da Comarca de Ecoporanga, determinou na última segunda-feira (13) o “afastamento imediato e sem efeitos financeiros” da conselheira tutelar. O magistrado também autorizou a convocação imediata do suplente empossado.
 

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