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Após pegar bactéria, menino de 8 anos corre o risco de perder a perna

O pequeno Pedro Almeida Ramos, de apenas 8 anos, como toda criança, sempre gostou de brincar e correr por todos os lados. Mas há cinco meses tudo ...

Pedro Almeida Ramos, de apenas 8 anos, precisa arrecadar R$ 100 mil para fazer uma cirurgia no joelho esquerdo

Última atualização

Pedro Almeida Ramos, de apenas 8 anos, precisa arrecadar R$ 100 mil para fazer uma cirurgia no joelho esquerdo (Foto: Ygor Amorim)O pequeno Pedro Almeida Ramos, de apenas 8 anos, como toda criança, sempre gostou de brincar e correr por todos os lados. Mas há cinco meses tudo mudou. O menino acordou se queixando de dores no joelho esquerdo no último dia 9 de março e em poucos dias já não conseguia andar. Os pais o levaram nas consultas para descobrir o motivo das dores e após exames, descobriram que o menino estava com um quadro infeccioso causado por uma osteomielite.

A criança precisou ser internada para tratar a infecção causada pela bactéria, o quadro de saúde piorou e menino teve uma infecção generalizada. Ele chegou a ficar internado por mais de dois meses, sendo que Pedro chegou a ficar entubado e em coma induzido por 17 dias. Desde então, a criança precisou fazer uma cirurgia no pulmão direito e outras cinco intervenções no joelho.

“Pedro nasceu de novo, nesses últimos meses ele passou por muita coisa. Chegou ao ponto de um ortopedista dizer que a perna do Pedro não tinha mais jeito e sugerir a amputação. Nos desesperamos com isso”, contou Nicoli Beatriz de Almeida Silva, mãe do menino.

Para evitar o pior, a família encontrou um cirurgião ortopedista especialista com especialização em reconstrução e alongamento ósseo, Diego Sant Anna Faria, que indicou um procedimento que pudesse salvar a perna. Com uma liminar na Justiça, conseguiram fazer com que o plano de saúde custeasse essa cirurgia.

Agora, o menino precisa urgentemente fazer outro procedimento complexo para colocar um implante ósseo e retirar o fixador externo que foi colocado na cirurgia anterior. A operação necessária para manter a perna do menino custará cerca de R$ 100 mil e, de acordo com a mãe, o plano de saúde recorreu a liminar e não dará cobertura ao valor.

“Pedro já passou da hora de operar, se não fizer esse tratamento, corre grande risco de amputação. Ele precisa fazer os procedimentos para ter uma melhor chance de recuperação”, comentou a mãe.

Para arrecadar o valor, família e amigos lançaram uma campanha solidária nesta quinta-feira (13) que movimentou as redes sociais. Uma postagem em um perfil criado para a campanha já conta com mais de 370 comentários de pessoas dispostas a ajudar.

“Muitas pessoas estão colaborando nessa campanha, somos gratos a todos que já contribuíram. Esperamos alcançar o valor o quanto antes”, disse Nicoli.

Confira o post da campanha:

Cirurgia inovadora no Estado

Embora tenha um nome difícil de ser dito, cirurgia que o menino Pedro precisa fazer é fundamental para que ele não perca a perna e se chama Transplante Autólogo de Fíbula Vascularizada Microcirúrgico.

De acordo com o médico especializado em reconstrução e alongamento ósseo, Diego Sant Anna Faria, que vai fazer o procedimento, é uma cirurgia que nunca foi realizada no Estado.

“Vamos fazer uma transferência da fíbula da outra perna com os vasos sanguíneos para substituir o osso destruído pela infecção. É algo novo no Estado. Há riscos como qualquer cirurgia. Um deles é o de amputação. Mas é um risco extremo e, em crianças é muito difícil de acontecer algo”, explica o especialista.

Médico explica o que é osteomielite

O médico ortopedista da Rede Meridional, com especialização em reconstrução e alongamento ósseo, Diego Sant Anna Faria, explica que a osteomielite é um quadro inflamatório que afeta um ou mais ossos, geralmente provocado por infecção bacteriana ou fúngica.

De acordo com ele, a osteomielite pode permanecer localizada ou difundir-se pela corrente sanguínea, comprometendo outras partes do osso e tecidos do corpo.

“É uma doença antiga e que não tem cura, mas hoje existem diversos tratamentos para a patologia. A osteomielite é processo inflamatório progressivo causado por micro-organismo, resultando em destruição do osso. Em termos gerais, a osteomielite é caracterizada como aguda ou crônica, baseada na destruição do osso e duração da infecção”, explica o médico.

A osteomielite crônica pode se apresentar como uma doença intermitente. Os sintomas e sua duração podem variar consideravelmente. “A incidência de recaída após um tratamento aparentemente ‘bem-sucedido’ continua alto, tornando seu gerenciamento desafiador para o médico responsável pelo tratamento”, pondera Faria.

O médico ressalta que o diagnóstico imediato e a gestão agressiva da doença são fundamentais para o prognóstico e resultado final.

“O tratamento visa alcançar a resolução da infecção e restauração da função do membro. Historicamente, antibioticoterapia (tratamento de pacientes com sinais e sintomas clínicos de infecção pela administração de antimicrobianos) em combinação com desbridamento cirúrgico agressivo (remoção de tecidos desvitalizados para preparar o leito da ferida para a cobertura definitiva) têm sido utilizados para o seu manejo, sendo o mais importante preditor clínico de um desfecho de sucesso”, frisa o especialista.

As características clínicas da osteomielite crônica geralmente não são específicas e, portanto, difícil de reconhecer. Uma variedade de sintomas foram relatados, variando de ausência de lesões cutâneas a feridas abertas sobre ossos fraturados.

“Nos casos negligenciados, os pacientes tipicamente relatam uma dor cíclica que aumenta em gravidade, está associada a febre que desaparece quando o pus estravaza através de uma fístula” diz o especialista.

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