Viajar, fazer compras sem se preocupar, curtir um show. Quando a quarentena acabar, atividades como essas vão ter que esperar. A não ser que elas incluam os amigos!
Uma pesquisa feita pelo Instituto Casal, comandada pelas psicólogas e terapeutas Denise Figueiredo e Marina Simas, apontou que 91% dos casais entrevistados têm como prioridade rever os amigos.
Embora as pessoas reclamem mais da falta de liberdade por causa do isolamento social, Denise explica que o fato de os casais preferirem ter mais contato com amigos a viajar mostra a importância dessa rede de apoio.
“A viagem tem função de descanso, lazer, férias. Os amigos têm função de proteção, segurança, descontração. Por isso, 91% disseram querer rever os amigos. Essa rotina foi retirada abruptamente da gente com a pandemia. É uma falta de liberdade, de as pessoas poderem se encontrar e expressar seus afetos livremente. Isso afetou todos profundamente”, destaca.
Segundo a pesquisa, 53% dos casais dizem que o isolamento social trouxe mais ansiedade para a relação. Para a especialista Marina Simas, a convivência com os amigos tira o foco da situação atual, com tarefas domésticas, incertezas do futuro, preocupação com coronavírus e finanças.
“Traz novidades, novos formatos e ideias e possibilidade de existir em tempos difíceis. E mostra que ninguém tirou patente dos problemas. São reais e gerais”, diz Marina.
Para as psicólogas, é importante não perder o contato com quem se ama, mesmo porque os amigos podem fortalecer a união do casal e ser um suporte emocional até mais forte do que a própria família.
“Estamos planejando altos encontros”
O casal de empresários Priscila Porto dos Santos, 28, e Lucas Gomes Moreira, 32, terá como uma das prioridades, após sair da quarentena, passar mais tempo com os amigos.
Como estavam acostumados a ficar com eles todo fim de semana, seja fazendo churrascos ou indo à praia, foi difícil perder esses momentos de companheirismo.
A solução encontrada pelo casal foi fazer videochamadas. ”Como tem como ligar para até seis pessoas, a gente faz vídeo, manda foto da picanha ou da cerveja… É o tempo todo assim”, diz a empresária. “Estamos planejando altos encontros e viagens juntos, para matar a saudade”, conta Lucas.
Falta de tempo
Com a correria do dia a dia e a pandemia, Misray Pereira da Silva, 23, e Júlio Pereira Souza Júnior, 24, contam que a saudade dos amigos só aumenta.
“Geralmente, a gente faz chamada de vídeo ou uma ligação bem longa para contar as novidades, mas, com a falta de tempo, não temos feito com frequência”, diz Misray.
Pesquisa
A relação a dois e a quarentena
Após o isolamento:
- Querem rever amigos: 91%
- Querem viajar: 18%
- Querem sair: 7%
Outros dados da pesquisa
- 53% dos casais dizem que a quarentena trouxe mais ansiedade para a relação
- 33% das discussões entre os casais são motivadas pelo uso excessivo do celular
- 32% brigam devido a tarefas domésticas
- 31% se desentendem por excesso de críticas
- 30% têm conflitos ao menos uma vez por semana
SAIBA MAIS
Telefone
- Que tal fazer como “tempos atrás” e falar ao telefone com seu amigo? Escutar a voz um do outro em tempo real pode render boas horas de conversa. Além disso, torna-se menos impessoal do que apenas mandar mensagens por aplicativos.
Encontros virtuais
- Hoje existem muitos aplicativos que permitem fazer happy hours virtuais por meio de videochamadas em grupos. Entre eles, Hangouts, WhatsApp, Zoom, WhereBy e Skype. O importante é não perder a conexão com suas amizades.
- Festa em casa
- Um aplicativo que está em alta por suas funções diferenciadas é o Houseparty. Com mais de 10 milhões de downloads, ele permite interação simultânea com até oito pessoas, avisa quando todos estão em casa, além de ter jogos, desenhos e quiz. Disponível para Android e iOS.
Presencial
- Para a psicóloga Marina Simas, quando a saudade é muito grande, dá para realizar encontros presenciais, desde que se mantenham todos os cuidados necessários. “Encontrar os amigos em lugares abertos e bem ventilados, com máscara, mas com distância social.
- Não ficar tocando, abraçando, deitando no colo… Assim pode trabalhar o afetivo e o social, mas focando no verbal, na conversa”, salienta.
- Presente
- Os amigos gostam de se sentir lembrados. Que tal preparar uma lembrança e deixar na portaria? Pode ser uma comida gostosa, uma sobremesa ou mesmo um vaso de plantas.
Fonte: As psicólogas Denise Figueiredo e Marina Simas e informações de sites especializados em tecnologia.
