Hospitais brasileiros já possuem registros de crianças portando uma síndrome inflamatória rara em decorrência da Covid-19. Na lista de sintomas estão manchas pelo corpo, febre, olhos vermelhos, barriga inchada, pés e mãos descamando, diarreia, vômito e conjuntivite.
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A pediatra Lívia Borgo diz que ainda não há evidências que justifiquem a apresentação do vírus mais brando nas crianças, mas há hipóteses levantadas.
“A de que crianças possuem mais infecções virais e isso pode conferir uma imunidade cruzada contra o coronavírus; e a de que as crianças possuem menos receptores ACE2, que é uma proteína que facilita a entrada do SARS-CoV-2 nas células”, diz.
Os especialistas não sabem por que a síndrome só ocorre em crianças, nem por que acomete algumas e poupa outras. Por isso, um grande estudo do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos vai acompanhar 6 mil pequenos.
“Enquanto nos adultos os quadros graves ocorrem na fase aguda da doença pela infecção do próprio vírus, na criança os casos graves, apesar de mais raros, podem ocorrer também nesta fase aguda ou por uma resposta imunológica exagerada após algumas semanas de a doença já ter se resolvido”, diz a pediatra, alertando sobre cuidados para as crianças com comorbidades, como as cardiopatas, diabéticas e obesas.
“Já em relação a essa síndrome que acontece de forma tardia, pode acometer qualquer criança, mesmo naquelas que foram assintomáticas durante a infecção do coronavírus”, ressalta a médica Lívia Borgo.
Mestre em saúde da criança, a médica Raquel Zeitel explica que a síndrome costuma aparecer de três a quatro semanas após o pico do coronavírus. E que pode evoluir para o aumento dos marcadores inflamatórios, problemas cardíacos e nas artérias do coração. O tratamento inclui medicamentos para controlar o processo inflamatório.