O processo de adaptação ao home office, ampliado devido ao novo coronavírus, veio cercado de deslizes.
Procurador cochilando durante julgamento, mulher nua atrás do marido em conferência por vídeo e cenas de sexo em transmissão de audiência pública são só alguns exemplos do que já aconteceu no País durante as reuniões virtuais.
No Estado, só este ano, um total de 5 mil empregados foram demitidos em decorrência de gafes cometidas em reuniões por vídeo no home office, conforme levantamento realizado pela empresa Heach Inteligência Corporativa.
Entre os vacilos estão entrar no vídeo sem camisa ou com roupas inadequadas, falar mal do chefe e brigar com a família com microfone aberto, almoçar e até beber cerveja nas reuniões online, além de ser interrompido pelos filhos ou pelos animais de estimação, seja pela presença ou pelo barulho.
O CEO da Heach, Elcio Paulo Teixeira, explicou que são demissões simples: “São tantas gafes. Tudo vai se acumulando e demostrando falta de interesse e de cuidado do colaborador com a empresa.”
Lara Sathler, diretora-executiva da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), apontou que não ligar a câmera é outro comportamento inadequado: “Quando o colaborador não liga, ele passa a imagem de desinteressado. Claro que existem exceções e, nesses casos, é importante explicar o motivo de não usar o recurso.”
O consultor de Gestão Empresarial Sidcley Gabriel explicou que quando essas gafes ferem os valores e a cultura da organização, o colaborador pode ser demitido.
“Quando o empregador dá uma advertência verbal ao colaborador, para se atentar quanto a determinado comportamento, mas ele não toma isso como referência, a empresa já começa a entender que ele não está comprometido de fato com os valores da organização”.
Ele destacou que é preciso atenção: “Quem tem esse tipo de comportamento, passa na frente dos outros na fila de corte de pessoal”.
Segundo ele, em alguns casos, a gafe se deve à falta de comunicação do empregador, que não deixou as regras claras. “O empregador tem que se perguntar se fez a comunicação adequada. Presencialmente, as empresas já tinham problema com a comunicação, o que a distância intensificou”, enfatizou.
Casos
Pijama
Embora seja aconselhável se vestir como se fosse sair para trabalhar, mesmo em home office, empresários no Estado têm se deparado com empregados de pijama em reuniões pela internet.
A situação é universal, tanto que uma marca japonesa desenvolveu um pijama em que a parte superior parece uma camisa social, para ser usado, inclusive, na videoconferência.
Sexo na tela

Apesar da situação, os vereadores não interromperam a discussão. O casal estava com um perfil não identificado, que tinha sido convidado para participar da reunião. Nenhum dos dois é parlamentar.
Bênção divertida
O padre Luiz Cesar Moraes, de Itajubá, Minas Gerais, divertiu os fiéis ao acionar, sem querer, os filtros de uma rede social durante sua bênção, no início deste ano.
O padre explicou que tudo foi sem querer, destacou que não brinca em serviço, e que Deus usa até as falhas para dar seu recado. “Deus quer também um pouco de alegria”, destacou com bom humor.
Colaborador sem camisa

Embora o colaborador esteja no aconchego de seu lar, o horário era de trabalho. A conduta foi interpretada pelo líder como falta de respeito ao código de vestimenta da empresa.
No banheiro
Empregados também estão esquecendo o microfone aberto e indo ao banheiro fazer necessidades, transmitindo o áudio para chefe e colegas.
Cervejinha no trabalho
Alguns empregados estão se sentindo à vontade trabalhando de casa. Na Grande Vitória, um gestor foi fazer uma reunião online com seus colaboradores quando percebeu que um deles estava até com uma cervejinha na mesa.
SAIBA MAIS
Gafe
- É um ato impensado e que poderia ser evitado, caso o indivíduo conhecesse antes as consequências. É um erro, um deslize, um comportamento inapropriado para o contexto.
Home office
- Desde o início da pandemia do novo coronavírus, empresas se viram na necessidade de instituir o home office, para preservar a saúde de seus colaboradores.
- Contudo, como foi um processo muito rápido, é natural que alguns deslizes aconteçam no processo de aprendizagem. Porém, existe um “muro” que limita o que é um simples deslize e o que é falta de noção e visão crítica diante do próprio comportamento.
Avaliação
- Cada empresa tem sua missão, visão e valores. Às vezes, determinado comportamento é permitido em uma empresa e não é em outra. Por isso, é importante entender o contexto em que cada organização está inserida.
- Além disso, pode haver uma maior flexibilização em relação ao relacionamento interno. Mas, com o cliente a situação muda.
Comunicação
- Cabe à organização comunicar aos funcionários quais são as regras. Especialistas apontam que o ideal é que cada empresa tenha uma cartilha de comportamento com regras e dicas.
- Ela não vai determinar, por exemplo, qual roupa o empegado deve usar durante o home office. Mas, pode exigir que ele atenda ao código de vestimenta da empresa durante as reuniões online. Para ambas as partes, cabe o bom senso.
Justa causa
- As demissões por causa de gafes geralmente são simples. São frutos de um acúmulo de comportamentos que mostram que o colaborador não está em harmonia com os valores da empresa. Geralmente, envolve advertência e reincidência.
- Para haver justa causa tem que ter um hábito intencional errado. Um caso de nudez, por exemplo, que não foi intencional, não pode culminar nesse tipo de demissão. Ela é a ultima medida. Antes, tende a vir advertência e suspensão.
Chamada de vídeo
- Se o empregado está em horário de trabalho e o empregador liga por chamada de vídeo, o empregado deve atender.
- Se for uma situação em que o funcionário está sem camisa, por exemplo, ele deve primeiro se vestir e em seguida retornar.
Fonte: Victor Passos Costa, advogado empresarial; ABRH; Heach; Sidclay Gabriel, consultor e pesquisa AT.
