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Ciclista vence câncer e vai pedalar 600 km

A descoberta de um câncer é, na maioria das vezes, um momento difícil na vida de uma pessoa. Não foi diferente para a ciclista Swllaya Farias, de 35 ...

Ciclista Swllaya Farias (na frente, à direita) com o grupo que vai fazer o percurso até o Rio Janeiro

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Ciclista Swllaya Farias (na frente, à direita) com o grupo que vai fazer o percurso até o Rio Janeiro (Foto: Fábio Nunes/ AT)

A descoberta de um câncer é, na maioria das vezes, um momento difícil na vida de uma pessoa. Não foi diferente para a ciclista Swllaya Farias, de 35 anos, moradora de Vila Velha. No entanto, ela encontrou no mountain bike (esporte de ciclismo em todo tipo de terreno) a força que precisava para superar o câncer de mama, um carcinoma grau dois.

Para celebrar a cura da doença, ela pretende, junto ao seu grupo, pedalar mais de 600 km até o Rio de Janeiro, passando por sete cidades, saindo da Praia de Itaparica, em Vila Velha. A partida, com oito pessoas, está programada para sexta-feira e a chegada no dia 5 de março, em Figueira, Arraial do Cabo.

Pedalando desde 2016, ela descobriu a doença em 2017, após sentir um caroço na mama direita. “Foi bem assustador no início. Eu tinha 33 anos, um filho de 15 para cuidar, um salão de beleza que era meu e trabalhava sozinha. O que pensei foi: é isso, eu vou morrer’”, lembrou.

Com o início no tratamento, Swllaya foi submetida a oito meses de sessões de quimioterapia. Debilitada, ainda pedalava com o grupo, que a apoiava mudando até mesmo os percursos para que ela não perdesse o fôlego completamente.

“Eu fazia pedais de 50, 70 e até 100 km. Mesmo fazendo químio, mesmo com dor, eu pensava que, se fosse para ficar em casa sentindo dor, era melhor sentir dor pedalando”, brincou a ciclista.
Ela precisou passar por duas cirurgias: uma para retirada do quadrante (o que tinha feito a biópsia do tumor); a outra, para a retirada dos linfonodos do braço.

O educador físico Francis Carvalho explicou que o mountain bike tem como resultado o aumento da concentração e do foco, deixando a pessoa que pratica o esporte pronta para adversidades.

“A bicicleta não pode parar, e a mesma coisa serve para o nosso organismo. Sem dúvida, o rendimento da pessoa melhora e ajuda, e muito, tanto a prevenir quanto tratar doenças. Nos sentimos mais bem-dispostos, e a sensação pós-prática nos dá mais ânimo, nos deixa positivos”, comentou.

A pedagoga e responsável pelo grupo, Tatiana Braga, foi a primeira a saber de todo o processo. “Ela sempre demonstrou força de vontade e não se deixava abalar. Ficamos com ela até o fim”, contou.

Hoje, Swllaya acredita que a força da fé e o esporte foram o que a deixou inabalável.

“O câncer me mostrava o tamanho da minha força”

Swllaya Farias: superação (Foto: Acervo pessoal)Diagnosticada com câncer em 2017, após sentir um caroço na mama direita, a cabeleireira e ciclista Swllaya Farias, de 35 anos, encontrou forças para superar o tratamento por meio do esporte. Agora, ela irá comemorar pedalando mais de 500 km até o Rio de Janeiro com um grupo de amigos.

A TRIBUNA – Como foi o momento da descoberta do câncer?
Swllaya Farias – Foi muito assustador. Eu era nova, tinha um filho adolescente, um negócio próprio. Tudo estava bem e de repente você descobre que está com câncer. Eu só pensei que ia morrer. Mas também descobri ainda mais o que ninguém consegue explicar: o poder de Deus, e como pedalar poderia me ajudar a superar a doença.

Você contou que passou por quase um ano de tratamento, e agora quer comemorar. Como fará isso?
Sempre foi um sonho do nosso grupo pedalar até o Rio de Janeiro, mas tivemos de adiar por conta do meu tratamento. Foram oito sessões de quimioterapia, durante oito meses. Mas ainda assim, eu não desistia de ir pedalar, e o pessoal acompanhava o meu ritmo, que precisa ser mais lento.

Qual foi a maior lição que você tirou disso tudo?
Só quem passa por um câncer consegue entender, na íntegra, o sentido da vida. A cada recuperação dos efeitos da químio, o câncer me mostrava o tamanho da minha força. Enquanto o câncer morria, eu recuperava a minha vida.

Saiba mais

  • A cabeleireira Swllaya Farias, de 35 anos, pratica mountain bike (esporte de ciclismo em todo tipo de terreno) desde 2016. Em 2017, ela suspeitou de um caroço na mama direita e decidiu ir ao médico.
  • Após biópsia, ela foi diagnosticada com câncer de mama: um carcinoma grau dois. Ela foi submetida a oito sessões de quimioterapia, que duraram oito meses.
  • Ela participa do grupo MaraBike, de Vila Velha, que a acompanhou durante todo o processo de diagnóstico e tratamento da doença. O ciclismo a ajudou a manter o foco. Mesmo durante a quimioterapia, cansada e sentindo dores, ela ainda pedalava.
  • Ela acredita que o ciclismo e a fé salvaram sua vida, não a permitindo se deixar abater.
  • Agora, planeja, junto com o grupo, pedalar mais de 500 km até o Rio de Janeiro.
  • A partida está programada para a próxima sexta-feira e a chegada no dia 5 de março. Ela vai sair da Praia de Itaparica, em Vila Velha.
  • A base do mountain bike é a superação de obstáculos, onde o atleta não pode parar de pedalar até mesmo em situações mais complicadas.
  • A prática de exercícios libera serotonina, conhecido como o “hormônio da felicidade”, responsável pela sensação de bem-estar. Além disso, aumenta a imunidade e resistência.

Análise

“É muito importante participar de um grupo”

Débora Monteiro Coelho, psicóloga e psicoterapeuta (Foto: Divulgação)“É muito importante participar de um grupo, estar em sintonia com pessoas que te puxam para cima, te deixam felizes, principalmente durante a fase de um tratamento tão intenso quanto o câncer. É uma energia que contagia.

A positividade é algo que ajuda muito. Nossa mente é muito poderosa, e se você pensa positiva, começa a construir uma realidade mais positiva.

Não apenas fazer um exercício físico, o ato de participar de algo desse tipo nos dá um propósito. Nos dá objetivos, metas, percursos e obstáculos a serem superados.

Isso traz uma boa dinâmica para o nosso organismo. O exercício físico é capaz de liberar doses de serotonina, o famoso “hormônio da felicidade”, que nos dá a sensação de bem-estar, prazer e nos faz querer continuar nessa jornada.

Estar junto com um grupo que faz bem, cria uma reação de saúde para o corpo e para a mente, que precisam ser fortalecidas durante um período tão difícil, como é a descoberta de um câncer.”

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