Vizinhos se uniram e, em um ato de fé e de amizade, organizaram um momento de orações em um condomínio na Mata da Praia, em Vitória, pedindo a Deus pela saúde de um professor universitário aposentado de 69 anos, morador do local. Ele está internado há 10 dias em um hospital particular da capital com coronavírus. Está entubado na UTI.
Às 19 horas de terça-feira (14), com a família do professor nas janelas do apartamento, no segundo andar, alguns vizinhos foram para a área externa no térreo do prédio e começaram as orações, sendo acompanhados por outros moradores também de suas janelas.
Nas mãos, o terço e, em uma cadeira improvisada como altar, foi colocada imagem de Nossa Senhora Aparecida e também acesa uma vela.
“Foi muito emocionante, lindo demais. Eu fiquei em uma janela e meus dois ficaram cada um em uma janela também. Meu marido está internado, mas Deus está ouvindo nossas orações. Hoje os médicos ligaram dizendo que nessas últimas 24 horas ele deu uma melhorada, foi o melhor dia dele desde que está na UTI. Com certeza são as orações”, declarou a mulher do professor, uma funcionária pública federal de 60 anos.
Um dos moradores que participaram das orações foi um contador de 72 anos. Ele disse que, nesse momento de apreensão por causa da doença, a solidariedade e fé são os fatores que importam mais.
“Ele é um amigo querido, um vizinho de longa data, mais de 30 anos. Foi muito bonito ver as pessoas orando pela vida dele e temos fé. Eu levei a imagem de Nossa Senhora e a vela porque cremos que Deus pode restabelecer a saúde dele. Hoje, quando soube que meu amigo melhorou um pouco, fiquei muito emocionado, minha voz ficou até embargada”, contou.
Tosse foi o primeiro sintoma
A mulher do professor aposentado contou que ele começou a se sentir mal no dia 3 de abril, uma sexta-feira. Estava apenas tossindo, mas foi para um hospital particular em Vitória. No local, foi medicado e orientado a voltar para casa. No entanto, continuou se sentindo mal e retornou à unidade de saúde na segunda-feira seguinte, dia 6 de abril.
“Aí ele já estava tossindo, com febre e falta de ar. Falei para meu marido ir para o hospital porque fiquei com medo de pneumonia. Ele foi sozinho e não voltou mais, está lá internado e ninguém pode visitá-lo. Meu marido sempre foi atleta, tem uma saúde boa. Não sabemos como ele contraiu esse vírus”, relatou a funcionária pública federal.
Segundo ela, no próprio dia 6 o marido foi levado para a UTI, mas recebeu alta para o quarto na quarta-feira seguinte, dia 8. No mesmo dia, a situação se agravou e ele precisou ser entubado e foi para a UTI novamente. Dois dias depois (10), a Vigilância Epidemiológica ligou para a família dizendo que o teste de coronavírus havia dado positivo.
“Nós estamos completamente isolados em casa desde o dia que ele foi para o hospital. Eu, meus dois filhos e minha irmã. Não saímos para nada e contamos com a ajuda de parentes que moram perto de nós para nos ajudar com o que precisamos, mesmo assim sem contato. É uma situação horrível porque meu marido está lá no hospital e nós não podemos fazer nada”, disse.
A funcionária pública federal informou que o hospital pretende, com a melhora do quadro de saúde do professor, retirar o tubo na próxima sexta-feira (17). “Vamos seguir rezando muito, contando com as orações da família e dos amigos. Meu marido vai sair dessa”, declarou.
