A ida de crianças ao pronto-socorro devido a acidentes domésticos se tornou mais frequente desde o início da quarentena para combater o coronavírus. Com o confinamento dentro de casa, as crianças acumulam a energia que gastariam naturalmente em atividades escolares e com amigos e se aventuram em brincadeiras arriscadas.
Segundo os especialistas, subir em móveis, investigar objetos curiosos ou até correr pela casa podem resultar em feridas sérias. A solução é adotar medidas de seguranças e redobrar a atenção.
Em tempos em que famílias apelam ao álcool para garantir a desinfecção e se proteger do novo coronavírus, o perigo de queimaduras também é elevado.
O médico Samuel Ribak, 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, orienta para o armazenamento de álcool e de outros produtos inflamáveis fora do acesso de crianças, seja em armários altos ou com tranca.
“Mesmo o uso do produto em gel nas mãos deve ser com cuidado, pois ele não evapora de imediato. Se houver contato com fogo ou superfície quente após usá-lo, pode ocorrer queimadura”, alerta.
Ribak destaca que os pequeninos seguem os hábitos dos pais, portanto acabam usando o álcool sem discriminação. Para reduzir os riscos, o ideal é deixar o item para saídas e, em casa, higienizar as mãos com água e sabão.
Ortopedista e traumatologista, Felipe Raminho notou a procura crescente de pronto atendimento por pais com filhos que caíram durante brincadeiras em cima de cama ou de mesa. A maioria dos casos é de crianças menores, que requerem maior atenção dos pais.
“As crianças estão acostumadas a trabalhar a energia delas na escola, mas com essa nova realidade, estão buscando formas de extravasar. Pais devem conversar com os filhos que têm entendimento e redobrar a atenção para não produzirem novas enfermidades, além da Covid-19, e não demandarem atendimento de saúde nem se exporem ao vírus”, orientou.
Para prevenir as ocorrências e ajustar os pequenos ao confinamento, a pediatra Rachel Mocelin recomenda criar uma rotina.
“Não precisa ser tão rígida quanto quando vão às escolas. Mas definir horários de comer, estudar e fazer atividades já ajuda na adaptação”, ressalta.
DICAS PARA SE PREVENIR
Na cozinha
- Use as bocas de trás do fogão e certifique-se de que os cabos das panelas estão para dentro, para que as crianças não alcancem.
- Mantenha sacolas, fósforos, isqueiros, objetos de vidro, cerâmica e facas fora do alcance das crianças.
- Não use toalhas de mesa longas. As crianças podem puxar para apoiar. Se houver algo em cima, pode cair em cima dos pequenos.
- Não deixe álcool em gel nem inflamáveis na cozinha. Após usá-los, garanta que não há resíduos nas mãos antes de mexer com calor.
Na área de serviço
- Após utilizar baldes e bacias, esvazie-os, guarde-os virados para baixo e longe do alcance das crianças. Eles oferecem risco de afogamento para os menores.
- Produtos de limpeza devem devem ser guardados em lugares altos ou trancados e mantidos em seus recipientes originais para não confundir as crianças.
- Antes de comprar uma planta nova, verifique se ela não é venenosa e apresenta perigo para os pequenos.
- Guarde utensílios afiados e elétrônicos fora do alcance das crianças.
Na sala
- Pisos escorregadios e tapetes oferecem risco de quedas. O ideal é usar antiderrapante nos tapetes ou retirá-los.
- Use portões de segurança no topo e na base das escadas. Caso a lateral seja aberta, instale redes.
- Instale grades ou redes de proteção em janelas, sacadas e mezaninos.
- Substitua fios elétricos desencapados e proteja tomadas com tampas, fita isolante ou mesmo móveis.
- Prefira móveis com quinas arredondadas ou use protetor.
No quarto
- Evite posicionar camas e qualquer outro móvel perto da janela. Eles podem ser usados para escalar.
- Ao escolher brinquedos, evite aqueles com pontas afiadas, como flechas, e os que produzem sons altos. Busque sempre o selo do Inmetro.
- Travesseiros e lençóis no berço podem causar sufocamentos. Por segurança, deve haver 5 centímetros entre as grades do móvel.
- Cuidado com quinas afiadas e mantenha os móveis longe de cortinas. As crianças podem se pendurar e/ou se estrangular.
