- Vitória, ES 26°C

Vitória 26°C

Anúncio
Coronavírus

Fantasmas para manter quarentena na Indonésia

Na província de Java, na Indonésia, alguns vilarejos estão recebendo uma ajuda de “outro mundo” na luta contra a pandemia do novo coronavírus.Jovens ...

Jovens vestidos de pocong para garantir que a quarentena seja cumprida pelos moradores nos vilarejos

Última atualização

Jovens vestidos de pocong para garantir que a quarentena seja cumprida pelos moradores nos vilarejos (Foto: Divulgação)

Na província de Java, na Indonésia, alguns vilarejos estão recebendo uma ajuda de “outro mundo” na luta contra a pandemia do novo coronavírus.

Jovens do povoado de Kesongo, na aldeia de Kepuh, na região de Sukoharjo, no centro de Java, por exemplo, ficaram no portão de entrada do povoado, vestidos de fantasmas da lenda indonésia.

Mas não se trata de fantasmas comuns. Eles são conhecidos como “pocongs”, famosas figuras do folclore local. Um pocong seria a alma do morto presa na mortalha em que seu corpo foi embalado.

Segundo as autoridades locais, a estratégia tem funcionado: pais e crianças têm evitado sair de casa.

Os hábitos e particularidades culturais são elementos determinantes sobre a dimensão e o impacto da pandemia do coronavírus em cada país. A estratégia encontrada, na Indonésia, foi o uso dos pocongs.

Segundo Anjar Pancaningtyas, líder de um grupo de jovens que coordenou a iniciativa junto à polícia, a ideia era jogar com o imaginário da população para manter as pessoas em casa através do medo.

“Queríamos ser diferentes e criar um efeito de impacto pois pocong é assustador”, disse.

Os pocongs monitoram os convidados que entram no povoado e garantem que os moradores obedeçam às restrições do governo às reuniões sociais.

“Nos últimos três dias, nenhum residente foi visto saindo à noite. Aparentemente, eles têm medo do fantasma falso”, afirmou Anjar.

O chefe da unidade de bairro da aldeia de Kesongo, Karno Supadmo, disse que a iniciativa dos moradores foi positiva quanto à medida, uma vez que visava evitar um maior surto de vírus na área.

Segundo Karno, o pocong fica perto do portão de entrada das 20h à meia-noite todos os dias.

Eles faziam uma verificação de identificação de todos os hóspedes que chegavam ao vilarejo e perguntavam sobre o objetivo de sua visita e só então liberava a entrada.

Já na vila de Galang, distrito de Welak, na região oeste de Manggarai, no leste de Nusa Tenggara, as autoridades locais estavam usando o mito e o folclore local para impedir que as pessoas saíssem à noite.

“Uma maneira de impedi-los de sair durante a pandemia da Covid-19 é recorrer ao kating (assustar pessoas). Nossos ancestrais costumavam fazer isso para assustar as crianças e impedir que saíssem à noite”, disse o chefe da aldeia, Marianus Samsung.

Na região de Mojokerto, leste de Java, policiais de trânsito usam capacetes semelhantes a células de vírus gigantes, enquanto desinfetavam veículos e informavam os moradores sobre as medidas preventivas contra a doença.

“Fizemos os capacetes de coronavírus para que as pessoas ficassem mais conscientes do perigo que o vírus representa”, disse o vice-chefe da polícia local.

A iniciativa civil é fundamental, visto que, apesar dos quase 10 mil casos de coronavírus e mais de 700 mortes no país, o presidente da Indonésia, Joko Widodo, segue recomendando somente que a população mantenha a higiene e evite aglomerações, sem impor isolamento ao país.

 

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.