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Vizinhos compartilham wi-fi para ajudar campeã de Matemática a estudar

O isolamento social e o fechamento das escolas mudaram a vida dos estudantes, que tiveram de levar para dentro de casa, por meio da internet, as ...

Bárbara e Maria Clara: esforço em família para manter estudos em dia

Última atualização

Bárbara e Maria Clara: esforço em família para manter estudos em dia (Foto: Acervo pessoal)

O isolamento social e o fechamento das escolas mudaram a vida dos estudantes, que tiveram de levar para dentro de casa, por meio da internet, as atividades curriculares.

No entanto, a nova rotina se tornou um desafio para alunos que não dispõem de meios digitais em casa para realizar os seus estudos virtualmente.

Esse é o caso de Maria Clara Págio, 13 anos, medalhista de ouro e prata nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática de 2018 e 2019, quando era estudante de escola pública em Venda Nova do Imigrante.

Ela ganhou, este ano, por intermédio da ONG Instituto Ponte, uma bolsa de 100% no 8º ano de uma escola particular da cidade.

Para suprir a falta de internet em casa, Bárbara Ribeiro, mãe da estudante, montou uma força-tarefa para não deixar a filha defasada.

“A escola manda por celular ou e-mail o conteúdo. Como não temos internet em casa, eu levava para o trabalho e após o expediente baixava o conteúdo e imprimia as atividades. À noite ela fazia, tirávamos uma foto da página e no dia seguinte eu mandava”, diz.

Ajuda

Nesta semana, o escritório fechou devido ao isolamento social e Bárbara passou a contar com a ajuda de vizinhos, que liberaram o sinal wi-fi para que ela pudesse pegar o conteúdo pelo celular e enviar para a filha.

“Como mãe, dá muito orgulho ver como ela está se desenvolvendo e conquistando seu lugar no mundo”, diz Bárbara.

Maria Clara faz de tudo para que o esforço da mãe seja recompensado no futuro. “Quero ser arquiteta ou artista plástica”, diz a estudante.

“Gosto de estudar, tenho curiosidade para aprender. Esses dias que a gente não está tendo aula, eu trouxe livros e estudo de manhã e à noite faço as atividades”, completa.

Segundo a coordenadora pedagógica do Instituto Ponte, Fabiane Caetano, Maria Clara é um exemplo de força de vontade, mesmo com poucos recursos.

“Acompanho alunos medalhistas desde 2015 e seu desempenho nas Olimpíadas sugere que deve ser uma das melhores alunas de Matemática do Brasil na idade dela, mesmo sem acesso à internet em casa e estudando em escola pública até o ano passado”, elogia.

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