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Empresas preveem 90 mil demissões a partir de segunda-feira

A crise provocada pelo novo coronavírus afetou não somente a saúde pública, mas também a economia do País. Mesmo com o anúncio de créditos ...

Presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri

Última atualização

A crise provocada pelo novo coronavírus afetou não somente a saúde pública, mas também a economia do País. Mesmo com o anúncio de créditos emergenciais para auxiliar empresas a pagarem salários de funcionários, o cenário é preocupante, de acordo com especialistas.

No Espírito Santo, empresas preveem demitir cerca de 90 mil empregados a partir de segunda-feira (13) por causa das dificuldades em honrar a folha de pagamento, segundo o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas (Consurt) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Fernando Otávio Campos.

Somente no setor da indústria, cerca de 60 mil profissionais podem ser demitidos. “A maioria das empresas têm o caixa limitado. Do jeito que está, em 20 dias as demissões já começam a ser feitas. Até mesmo porque há uma dificuldade em conseguir os créditos que foram anunciados”, afirmou.

Ele destacou que um dos grandes entraves é a exigência de avalistas pelos bancos: “A regulamentação do crédito do governo federal ainda não chegou à Caixa. Além de as instituições estarem exigindo avalistas, o que já é difícil em uma situação normal. Agora, em meio a uma pandemia, é pior ainda.”

A situação no comércio é parecida. “Na prática, os empresários estão encontrando barreiras. Porque todos têm suas limitações, especialmente em termos de garantia. A estimativa é de que cerca de 30 mil trabalhadores comecem a ser demitidos a partir de segunda-feira”, afirmou José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio).

Presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri (Foto: Dayana Souza/AT)

O diretor de Desenvolvimento de Associativismo da Findes, Agostinho Miranda Rocha, afirmou que 200 empresas já procuraram por orientações. Algumas precisam de crédito de até R$ 3 milhões para continuar suas atividades.

Já o diretor da Federação das Micro e Pequenas Empresas do Estado (Femicro), Rodrigo Sangali, destacou que a exigência de Certidão Negativa por parte dos bancos vai impedir que cerca de 60% das empresas consigam o financiamento com juros baixos:

“Deveria haver uma flexibilização para que esses documentos não fossem exigidos por causa da pandemia. Dar um voto de confiança para o empresário, para que ele mantenha as contas em dia.”

Governo promete solução para os próximos dias

Após relatos dos empresários de dificuldade em conseguir o crédito emergencial para pagar salários de funcionários e evitar demissões, a reportagem de A Tribuna entrou em contado com as instituições e os governos federal e estadual.

O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) informou, através de nota, que a operação do programa já está disponível. “O BNDES está pronto para receber a adesão dos bancos que quiserem participar do programa”, disse.

Porém, o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas (Consurt) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Fernando Otávio Campos, relatou dificuldade em conseguir o empréstimo anunciado.

“O dinheiro está disponível, mas, na prática, ninguém tem acesso. O empresário chega lá e sai sem uma resposta, ou sai com linhas de crédito com juros altos. Hoje (ontem) mesmo eu consultei para a minha empresa, e a resposta foi essa.”

Ele destacou que acredita que, se os governos não flexibilizarem os procedimentos, apenas 20% das empresas que tentarem os empréstimos vão, de fato, conseguir.

Já o auxílio para microempreendedores, pequenas e médias empresas, anunciado pelo governo estadual, ainda não foi liberado.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) informou, por meio de nota, que “a regulamentação para que os empresários tenham acesso aos empréstimos está sendo analisada e será descrita em decreto do governo do Estado, que deverá ser publicado nos próximos dias”.

Promessa de crédito a 40 mil companhias

Governo federal
Crédito emergencial para empresas pagaram salários

  • A linha de crédito emergencial de R$ 40 bilhões anunciada pelo governo seria para financiar pagamento de salários de pequenas e médias empresas – com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. Os juros serão de 3,75% ao ano.
  • A promessa é de que a empresa terá 6 meses de carência e 36 meses para pagar o empréstimo.
  • O programa será operado pela Caixa e pelo Banco do Brasil.
  • Segundo as regras anunciadas pelo Banco Central, o financiamento da folha de pagamento das empresas será limitado a dois salários mínimos (até R$ 2.090) por empregado, permanecendo o restante, se houver, a cargo da empresa.
  • A empresa não poderá demitir, por dois meses, os empregados com salários financiados. No Estado, segundo o governo, mais de 40 mil empresas poderão usar a linha de crédito.

Governo estadual
Empréstimos para autônomos, microempreendedores e economia solidária

  • Uma linha de financiamento, sem juros, de até R$ 5 mil, foi prometida para beneficiar artesãos, representantes da economia solidária, micro e pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos. Contudo, o valor ainda não está sendo oferecido. A promessa é de seis meses de carência, com 24 meses para pagamento, operada pelo Banestes.

Pequenas e médias empresas

  • A promessa é disponibilizar linha de crédito emergencial, sem juros, para ajudá-las a pagar os salários. A correção será feita pela taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 3,75%.
  • A linha do emprego receberia, segundo o governo, R$ 70 milhões em aportes do governo do Estado, e poderá ser requisitada por empresas com faturamento de até R$ 360 mil.
  • Terá carência de 6 meses e 48 meses para pagamentos. Embora não oferecido ainda, o crédito será coordenado pelo Banestes e Bandes.

Fonte: Governos estadual e federal.

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