Com as portas fechadas há 22 dias, devido à pandemia do novo coronavírus, empresários do Estado afirmaram que não estão conseguindo arcar com seus compromissos, como pagar salários, despesas e tributos. Preocupados, eles fazem um apelo e pedem que o governo do Estado permita a volta das atividades.
“Queremos que o governo possibilite, mesmo que com regras, que o comércio possa voltar a funcionar na segunda-feira. Já estamos no limite. A partir de semana que vem o comerciante não vai mais aceitar o discurso de fechamento”, declarou o presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Lino Sepulcri.
Ele ressaltou que no Estado existem cerca de 40 mil lojas, que empregam mais de 150 mil pessoas. Se continuarem fechadas, as demissões podem chegar a 30 mil. “Muitos empregos estão em risco. A economia não consegue mais respirar e não temos mais o controle da situação”.
José Lino frisou que concorda com regras para a reabertura dos estabelecimentos. “Pode ser com horário diferenciado, de 10 às 16h, por exemplo, para não conflitar com o horário de entrada e saída das demais atividades e evitar aglomerações em ônibus e terminais”.
Da mesma opinião compartilha o diretor da Fecomércio, José Carlos Bergamin. “A grande preocupação era a falta de conhecimento da doença, a velocidade da contaminação e a estrutura dos hospitais. Acho que agora chegou a hora de considerar o mal da economia para a saúde”, afirmou Bergamin.
O diretor disse ainda que é preciso levar em consideração as particularidades do Brasil em relação aos países europeus. “Nosso País é maior do que a Europa. Acho que a questão do isolamento deve ser analisada de acordo com cada local. Não pode ser linear”.
Bergamin concorda com a abertura, sobretudo, do comércio de rua. “São locais que não geram aglomeração. O isolamento era necessário num primeiro momento, mas chegou a hora de ser avaliado novamente. Uma das regras poderia ser as lojas limitarem o número de clientes, permitindo apenas um a cada 10 metros quadrados”.
Abertura para manter os empregos

Ela é sócia de três lojas de roupas de festas: uma fica na Glória, em Vila Velha, e as outras duas ficam na Praia do Canto e no Shopping Vitória. “Eram 22 funcionários ao todo e precisei cortar a metade”, disse.
Ela afirmou que espera pela reabertura do comércio. “Queremos uma abertura gradual e com regras. Ninguém quer que as pessoas saiam sem proteção nas ruas. O movimento vai ser fraco, mas qualquer caixa que eu consiga fazer vai ser importante para manter empregos”.
Mais 30 mil receberão aviso prévio
Demissões em massa podem começar a ser feitas, caso o governo do Estado não avalie reabrir estabelecimentos comerciais que estão fechados desde o início do isolamento social no Espírito Santo.
É o que afirmou o diretor da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Carlos Bergamin. Ele destacou que 30 mil funcionários devem entrar em aviso prévio a partir de segunda-feira.
“Muitas demissões já estão acontecendo. Mas creio que se houver uma decisão satisfatória por parte do governo, pelo menos metade desses empregos podem ser salvos”, destacou Bergamin.
Ele ainda frisou que, mesmo que o governo não decida pela reabertura do comércio na segunda-feira, é importante que os empresários tenham ao menos uma previsão de quando o cenário poderá começar a mudar no Estado.
“Se for mantida a restrição, é importante que o empresário tenha pelo menos uma previsão. Vai ajudar muito, vai proporcionar otimismo. Assim, esses avisos que vão começar a ser feitos na semana que vem, podem até ser cancelados.”
Bergamin destacou que a maioria dos lojistas optaram por dar férias coletivas para seus funcionários. “Mas a situação está se prorrogando e eles estão perdendo a cabeça. Estão achando que vai ficar assim até setembro”.
