Um dia depois do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) ajuizar ação, a Justiça determinou que um morador de Vila Velha com suspeita de coronavírus fique em casa, sob pena de multa diária de R$ 5 mil pelo descumprimento, limitada R$ 20 mil.

Também foi determinado que o homem permita a coleta de amostras clínicas para a realização de exames. O paciente, que pediu para não ser identificado, conversou com a reportagem.
A TRIBUNA – O senhor voltou ao Estado no dia 1º de março, depois de uma viagem aos EUA e ao Oriente Médio. O que sentiu quando chegou?
Paciente – Senti sintomas de asma, que eu sinto sempre. Faço viagens internacionais com frequência e sempre chego com imunidade baixa e falta de ar. Também estava com incômodo na garganta. Como são sintomas semelhantes aos do coronavírus, fui ao hospital e precisaram me colocar na lista de casos suspeitos de coronavírus.
O que aconteceu depois?
Entrei em quarentena doméstica assim que deixei o hospital, no dia 6 de março e, em nenhum momento, me ausentei da casa. Estou no quarto em tempo integral, usando máscara e álcool em gel.
O resultado do exame saiu?
Não. Liguei na segunda-feira e descobri, para minha frustração, que o material nem sequer tinha deixado o Estado.
A prefeitura disse que o senhor se negou a ficar isolado.
Em conversa com a médica responsável, por telefone, eu questionei de forma veemente a demora do processo. Cheguei a dizer: “Estou em quarentena e continuarei, mas vou tocar minha vida”.
A partir dessa frase, foi fomentado que eu não cumpri a quarentena, gerando todo esse desgaste. Tenho provas e testemunhas de que estou cumprindo. Jamais brincaria com uma pandemia. As inverdades são ofensivas.