A pandemia do novo coronavírus – que já anota 48 casos confirmados no Espírito Santo – emperrou a realização de bailes ilegais na capital – os chamados mandelas. As festas são um ‘pão e circo’ para as comunidades e contam, segundo fontes da Segurança Pública, com simpatia do tráfico.
No Morro da Garrafa, em Santa Helena, um “mandelão” que aconteceria no último dia 21 – quando o decreto de isolamento social do governador Renato Casagrande já estava valendo – foi desmarcado.
O aviso para comunidade dizia que “em primeiro lugar vem a saúde”. Já no começo dessa semana, ainda com o baile suspenso, veio um novo aviso ao que eles chamam de “família”: “Fique em casa. Vamos geral colaborar aê. Até que tudo volte ao normal”. A reportagem teve acesso às mensagens.
Já no Bairro da Penha – epicentro do crime organizado da capital – o Baile do Trem Bala resolveu ainda no dia 18 de março já suspender as festas por tempo indeterminado. O “mandela” foi batizado com o mesmo nome da facção capixaba que serve de braço armado para o Primeiro Comando de Vitória.
“Mesmo que a gente dê máscaras e álcool em gel, temos que ser sinceros que não é seguro”, disseram aos frequentadores por meio de mensagens. Nas últimas horas, cresceu o número de frequentadores insistindo para que as caixas de som sejam ligadas ao anoitecer – já que o final de semana está batendo na porta.
Como se sabe, o Ministério da Saúde recomenda a redução do contato social o que, consequentemente, reduzirá as chances de transmissão do vírus, que é alta se comparado a outros coronavírus do passado. Os bailes, por sua vez, são sinônimo de multidão e beijos – tudo que a Covid-19 está espantando. Por ora, sem funk no morro.
