Vidros contendo um produto escuro são comercializados em sites de vendas na internet, com anúncio de que se trata de areia monazítica medicinal, encontrada nas praias de Meaípe e Areia Preta, em Guarapari.
Com a promessa da cura para problemas como artrite, artrose e até câncer, quatro frascos, totalizando 200 mililitros, são vendidos por R$ 399,99.
Revoltado, o vereador Lennon Monjardim, de Guarapari, denunciou o caso. Dois dias depois, as postagens foram suspensas.
O parlamentar denunciou o caso ao Ministério Público e pediu que os vendedores sejam localizados, para as punições cabíveis.
O problema é que a extração é ilegal e pode configurar dois tipos de crimes: de usurpação de bem pertencente à União, onde a pena prevista é de um a cinco anos de detenção, e crime ambiental, que prevê pena de seis meses a um ano de detenção para quem extrair recursos minerais sem a devida autorização ou licença.
“Não podemos permitir que essas pessoas continuem roubando areia para a comercialização em sites de compra e venda. Percebi que são pessoas distintas nas publicações”, disse o vereador.
Para Lennon, além de cometer um crime com a extração ilegal de areia, os vendedores também enganam as pessoas ao dizer que a areia cura sozinha.
Pesquisas feitas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) já chegaram a comprovar que as areias monazíticas das praias de Guarapari têm efeitos benéficos à saúde, segundo o doutor em Física Nuclear e coordenador dos estudos, professor Marcos Tadeu Orlando.
Ele revelou que a radioatividade presente na areia dessas praias é muito maior do que em outros lugares do mundo e ajuda na melhora de quem sofre com dores nas articulações.
“Nós já comprovamos essa radioatividade e ver a extração de areia dessas praias é um crime”, disse o professor.
