Os primeiros testes em humanos de uma vacina contra o novo coronavírus começaram ontem em Seattle, nos Estados Unidos. A vacina será testada em pelo menos 45 voluntários adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, durante cerca de seis semanas, mas somente deverá ser liberada ao público em 12 meses ou mais.
O governo dos Estados Unidos anunciou que um paciente recebeu, ontem, a primeira dose de uma vacina experimental contra o coronavírus. A pesquisa é capitaneada pelo Kaiser Permanente Washington Health Research Institute, de Seattle.
Desenvolver uma vacina “é uma prioridade de saúde pública”, disse Anthony Fauci, diretor nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Institutos de Saúde Nacional (NIH), órgão federal responsável pelos testes.
O diretor-geral da Organização Munidal da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, havia afirmado em fevereiro que a primeira vacina contra o novo coronavírus poderia estar pronta no mínimo em 18 meses.
As 45 pessoas serão vacinadas em duas doses em um intervalo de 28 dias. A vacina não contém o vírus. Por isso, os voluntários não podem ser contaminados. Normalmente, o medicamento apresenta o microrganismo “morto”. Assim, estimula o corpo na criação de anticorpos.
Os testes são realizados no centro de pesquisa Kaiser Permanente está em Seattle, no estado de Washington, onde foi reportado o primeiro caso do novo coronavírus no país, em 21 de janeiro.
Segundo dados das Secretarias de Saúde municipais e estaduais, de hospitais e do governo federal compilados pelo jornal The New York Times, Washington é o segundo estado americano mais atingido pela pandemia com mais de 675 casos — atrás apenas de Nova Iorkque que conta com pelo menos 938 enfermos.
“Todos nos sentimos tão impotentes. Esta é uma oportunidade incrível para fazer algo para a humanidade”, disse a pesquisadora Jennifer Haller.
Genética
A vacina da pesquisa utiliza engenharia genética, que aproveita as células do corpo para produzir pequenos pedaços de vírus que são, então, reconhecidos pelo sistema imunológicos.
A injeção carrega um trecho específico do RNA mensageiro, que construiria um receptor na superfície do vírus, permitido que o sistema imunológico o atinja.