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Vida nova após ganhar rim do marido

O convívio com uma doença renal, genética, fez com que a empresária Thallyta Régilla Miranda Ferreira Barros, 29 anos, passasse por um tratamento ...

Thallyta Miranda com o filho Francisco, hoje com 5 anos. “Só tenho a agradecer”, diz a empresária

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Thallyta Miranda com o filho Francisco, hoje com 5 anos. “Só tenho a agradecer”, diz a empresária (Foto: Dayana Souza/AT)O convívio com uma doença renal, genética, fez com que a empresária Thallyta Régilla Miranda Ferreira Barros, 29 anos, passasse por um tratamento doloroso.

Foi depois de um transplante de rim, realizado em agosto de 2018, que ela ganhou uma nova esperança de vida.

Quem doou o rim para Thallyta foi seu marido, o professor Alessandro Barros, 34. Três anos antes, um outro sonho já tinha sido concretizado: o de ser mãe.

“Nasci com deficiência renal, chamada Gesf, que ataca os rins. Fazia o tratamento desde os 4 anos de idade, mas, por volta dos 17 anos, parei de tomar os remédios por conta própria, porque as reações me faziam muito mal”, contou a empresária.

Aos 23 anos, Thallyta descobriu que estava grávida. “Antes da gravidez, meu rim funcionava normalmente. Nunca me disseram que, por causa da doença, não podia engravidar”, afirmou.

Com três meses de gestação, a empresária precisou ficar de repouso absoluto. “Eu pesava 42 quilos e fui a 86, de tão inchada que fiquei. Fiz meu pré-natal com ginecologista e nefrologista”.

“Com cinco meses de gravidez, meu rim esquerdo parou de funcionar e parei de fazer xixi. Se não voltasse com as medicações, teria de fazer cesárea e entrar direto na hemodiálise. Mas meu rim voltou”, completou.

Com oito meses, a empresária deu à luz. “Por causa dos remédios, o Francisco ficou um mês sem se desenvolver, durante a gestação. Mas, graças a Deus, nasceu saudável e hoje está com 5 anos”.

Após o nascimento do filho, o rim foi perdendo suas funções. Após idas ao pronto-socorro, sentindo-se muito mal, ela passou por dois anos e meio de hemodiálise.

“Passava muito mal. Cheguei a 39 quilos, com 1,56m de altura. Entrei na fila do transplante, porque meu caso é muito raro e o médico não indicava receber dos meus pais, por exemplo, que teria uma chance de compatibilidade acima de 90% e a deficiência poderia também se manifestar”, relatou.

“Foi então que o meu marido aceitou. Fez os exames e, com uma compatibilidade de 54%, me doou um rim. No ano passado, comemorei minha nova vida. Só tenho a agradecer”.

“Pelo meu filho, continuei a lutar”- Thallyta Ferreira Barros, empresária

Desde a infância convivendo com a doença glomeruloesclerose segmentar e focal (Gesf), que ataca os rins, a empresária Thallyta Régilla Miranda Ferreira Barros, 29 anos, contou como foi sua gravidez e tratamento, até receber o transplante do marido, o professor Alessandro Barros, 34.

A Tribuna – Como foi sua infância, sendo portadora da doença renal?
Thallyta Ferreira Barros – Desde os 4 anos, fazia tratamento e tinha uma dieta para ser seguida. Não era proibida de comer nada, mas tinha a quantidade certa.

Aos 9, comecei a tomar remédios imunossupressores, que me causavam muita reação. Quando era adolescente e ia ao nefrologista em Belo Horizonte (MG), onde morava, falava com a médica que preferia morrer a fazer hemodiálise.

A Tribuna – Em que momento seu caso se agravou?
Thallyta Ferreira Barros – Por volta dos 17 anos, parei de tomar os remédios por conta própria, porque as reações me faziam muito mal. Aos 23 anos, descobri a gravidez, e no terceiro mês de gestação fui de 42 quilos a 86 de tão inchada que fiquei.

Com cinco meses de gravidez, meu rim esquerdo parou de funcionar e parei de fazer xixi. Se não voltasse com as medicações, em 24 horas teria de fazer cesárea e entrar direto na hemodiálise. Mas, meu rim voltou.

A Tribuna – Como foi seu parto?
Thallyta Ferreira Barros – Francisco nasceu de oito meses, saudável e perfeito, graças a Deus. Porém, depois de alguns meses, tive de começar o tratamento porque meu rim foi perdendo suas funções. Comecei a hemodiálise e passava muito mal. Achava que iria morrer. Teve vezes que tinha medo até de dormir. Mas, pelo meu filho, continuei a lutar.

A Tribuna – Como foi o transplante?
Thallyta Ferreira Barros – Foi por causa do meu filho que meu marido pôde me doar o rim. A gravidez me deixou com anticorpos do meu marido, o que possibilitou a doação.

Recebi o transplante no dia 31 de agosto de 2018, mas o rim só funcionou por 12 horas e tive de voltar a fazer hemodiálise. Com 16 dias, ele voltou a funcionar. Digo que tudo na minha vida aconteceu no segundo tempo da prorrogação. Deus estava do meu lado sempre. Posso dizer que nasci de novo.


SAIBA MAIS

Doenças renais
Um em cada 10 brasileiros sofre de doenças renais, sendo mais comuns os cálculos renais, infecções, cistos, tumores e insuficiência renal, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

No Espírito Santo, um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde detectou que, aproximadamente, 2.300 capixabas faziam diálise devido à doença renal crônica, em 2018.

Campanha
De hoje até sexta, acontece a Semana Mundial do Rim, que tem como principal objetivo conscientizar sobre a importância de se fazer prevenção das doenças renais, e do exame de creatinina, que detecta como está a função renal. Haverá ações em hospitais da rede estadual e no Hucam (Hospital das Clínicas), referência nesse tipo de atendimento.


CIRURGIAS

– 19 transplantes de rim foram realizados este ano, até o dia 29 de fevereiro.
– 1.034 pessoas aguardavam por um transplante de rim no Estado até o último dia 2
– Em 2019, o Estado realizou um total de 99 transplantes de rins.

Semana com ações de prevenção

Lauro Vasconcellos: alerta (Foto: Leone Iglesias - 05/11/2014)Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostram que um em cada 10 brasileiros sofre de doenças renais, sendo mais comuns os cálculos renais, infecções, cistos, tumores e a insuficiência renal.

Para alertar sobre o assunto, de hoje até sexta-feira, acontece a Semana Mundial do Rim, que tem como principal objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância de se fazer prevenção das doenças renais, principalmente a doença renal crônica (DRC).

No Espírito Santo, um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) detectou que cerca de 2.300 capixabas faziam diálise, em 2018, devido à DRC. Este ano, até o dia 29 de fevereiro, foram realizados 19 transplantes de rim.

De acordo com o nefrologista Lauro Monteiro Vasconcellos, chefe da Unidade de Gestão de Transplantes do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam, também conhecido como Hospital das Clínicas), a maioria das doenças renais não apresenta sintomas.

Por isso, é recomendado o exame de creatinina como rotina. “A creatinina mostra como está o funcionamento dos rins, daí sua importância. Essa substância é fruto do metabolismo muscular e cada um tem uma dose, de acordo com sua idade”, explicou.

O médico e gerente de Ensino e Pesquisa do Hucam, José Geraldo Mill, destacou que o consumo de sal compromete as funções renais. “O alto consumo de sal promove o envelhecimento renal acelerado. A recomendação é o consumo de 5 g por dia”, alertou.

A nefrologista do Hospital Evangélico de Vila Velha, Luciana Assis, destacou que a hipertensão arterial e o diabetes são as principais doenças que levam à insuficiência renal crônica e, consequentemente, à necessidade de um transplante.

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