O Sindicato dos Rodoviários (Sindirodoviários) realizou, na tarde desta quarta-feira (20), uma assembleia para informar aos trabalhadores que o acordo assinado, na noite dessa terça-feira (19), dá a garantia de que os cobradores não serão demitidos.
Segundo um dos diretores do Sindirodoviários, por enquanto, não existe possibilidade de mais greves.
“Peço que fiquem tranquilos porque o posto do cobrador está garantido nos coletivos. Por enquanto não há previsão de mais protestos e vamos aguardar os 60 dias, caso não seja cumprido o prometido, tomaremos as devidas providências”
A reunião que começou às 14h e terminou às 16h, contou com a presença dos 13 diretores do sindicato e cerca de 200 trabalhadores do sistema, entre motoristas e cobradores.
O que diz o acordo
O acordo, assinado nessa terça-feira (19), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), garante o emprego dos cobradores pelo prazo de 20 meses foi firmado em audiência online presidida pela presidente do TRT-ES, desembargadora Ana Paula Tauceda Branco, com participação de representantes das empresas, dos rodoviários e do governo do Estado.
“Essa garantia se dá a partir do momento em que ele deixa sua função de cobrador para ser qualificado em outra atividade na empresa em função da entrada em operação de ônibus sem cobradores”, informou o TRT-ES, em nota.
O Sindicato dos Rodoviários do Estado (Sindirodoviários-ES) fará uma assembleia nesta quarta-feira (20) para debater o acordo e votar sobre o futuro da greve. “Foi uma audiência boa, pois os empresários garantiram os postos de trabalho e a própria Justiça cobrou isso. Mas os trabalhadores vão se reunir para votar ainda”, afirmou diretor financeiro do sindicato, Valdecy Laurindo.
Procurado pela reportagem, o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (Gvbus) disse que não iria se pronunciar.
Já o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno, garantiu que não haverá demissões. E mesmo se isso acontecer, por justa causa, por exemplo, um profissional será contratado para o mesmo posto de trabalho.
Entenda
Desde o último domingo (17), os profissionais estão afastados por conta da decisão do governo do Estado em determinar que os coletivos não aceitem mais dinheiro para o pagamento da passagem.
Com a medida, cerca de 2.500 cobradores vão ficar em casa por 60 dias, recebendo parte do salário pago pelas empresas e outra parte pelo governo federal, como prevê a medida do governo para o período de pandemia de coronavírus.
O profissionais, no entanto, temiam ser demitidos ao retornar, já que maior parte dos passageiros já estariam pagando a passagem com o cartão.
A decisão em afastar os cobradores motivou protestos por dois dias seguidos em Vitória. Os rodoviários chegaram a aprovar uma greve no último sábado, mas os ônibus circularam normalmente porque não houve adesão dos cobradores na manifestação marcada para o último domingo.
