O governo federal e os bancos públicos e privados anunciaram nas últimas semanas diversas medidas para ampliar e facilitar a oferta de crédito para empresas, com o intuito de minimizar os impactos da pandemia do novo coronavírus sobre a saúde financeira dos negócios.

“Nós temos muitos casos de empresários que foram aos bancos do Estado e não conseguiram crédito porque os bancos estavam exigindo garantias reais. Esses lojistas estão com grande dificuldade, em desespero, porque eles não têm um imóvel para oferecer como garantia”, contou o presidente da Câmara de Lojistas da Serra e do Sindicato de Lojistas de Cariacica, José Antônio Pupim.
Outro fato apontado por Pupim que dificulta o acesso ao crédito é a taxa de juros que, apesar de reduzida, ainda é considerada alta. “Com as taxas de juros acima da inflação, o pequeno lojista não tem condições de pagar. As lojas continuam fechadas”, completou.
Presidente do Sindicato dos Lojistas de Vitória, Claudio Sipolatti, também endossou que o acesso ao crédito não está sendo facilitado aos empresários que estão buscando ajuda financeira nos bancos.
“Como pegar dinheiro emprestado se não tem receita? Sem vender, como pagar? O empréstimo não resolve, estamos no limite”, afirmou.
Bancos
O Itaú/Unibanco disse que oferece crédito adicional a empresas com taxas reduzidas e flexibilização de garantias.
No caso de pequenas e médias empresas, além de uma linha de crédito emergencial para custear folha de pagamento, há a possibilidade de alongamento de prazo e carência de capital de giro, parcelamento das linhas de cheque especial e conta garantida.
O Bradesco respondeu que oferece linhas de crédito para antecipação da restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) – ano/base 2019, exercício 2020, e para antecipação do 13º salário. Ambas as linhas têm taxas a partir de 1,79 % ao mês.
Banestes, Bandes, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander não responderam.
“Sem desculpa para demitir”

“Nós estamos pagando metade do salário do trabalhador e estamos financiando a outra metade. Então, a empresa não tem desculpa para demitir”, disse o ministro durante sessão da comissão mista de Acompanhamento dos Gastos do Governo no Enfrentamento à Pandemia da Covid-19, criada no Congresso.
O ministro previu que chegaria a 5 milhões o número de trabalhadores que tiveram salários e jornadas cortados ou contratos suspensos até o fim da tarde de ontem, por meio do programa de manutenção de empregos do governo.
A medida provisória 936 permitiu a alteração das regras trabalhistas por três meses, durante a pandemia de Covid-19. Até a última quarta-feira, 4,3 milhões de pessoas haviam sido afetadas.
O ministro comparou a situação do Brasil com a dos Estados Unidos, onde 26 milhões de pessoas perderam os empregos. No Brasil, segundo ele, os níveis continuam parecidos com os registrados no mesmo período de 2019.
Na primeira metade de abril deste ano, 270 mil trabalhadores brasileiros pediram o seguro-desemprego. “Mais ou menos o mesmo do ano passado. Não houve onda maciça de desemprego”, disse.
Moeda
Guedes afirmou que o País pode emitir moeda para enfrentar a crise econômica se houver a combinação de desemprego em massa, inflação perto de zero e “colapso” dos juros.
“O BC pode emitir moeda e comprar a dívida interna. Se a taxa de juros for muito baixa, ninguém vai querer comprar título longo, e aí (o governo) pode monetizar a dívida sem que haja impacto inflacionário. Estamos atentos a todas as possibilidades”, disse.