
Ontem, a moeda americana atingiu o patamar inédito de R$ 5,90, com valorização acumulada de mais de 47% frente ao real este ano. O dólar turismo, por sua vez, já é vendido por até R$ 6,58 em casas de câmbio, na modalidade cartão pré-pago, sobre o qual incidem taxas com o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).
Os impactos sobre a gasolina já são sentidos. A Petrobras anunciou ontem aumento de 10% do preço do combustível nas refinarias, o segundo seguido. Na última semana, o reajuste foi de 12%.
A alta do combustível reflete também um cenário de recuperação dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, com novos cortes de produção.
O aumento no preço nas bombas depende do repasse feito pelas distribuidoras, entre outros fatores, mas o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos-ES) informou que o custo de aquisição junto às distribuidoras – determinante no preço final – vem subindo desde o último dia 5.
Segundo o economista e consultor de investimentos do Banestes, José Márcio de Barros, a disparada do dólar no País é explicada tanto pelas incertezas da economia mundial frente à pandemia do novo coronavírus, quanto pela instabilidade interna.
“Existe o movimento de valorização perante todas as moedas, frente aos países emergentes. Mas existe ainda o risco político. O Brasil está passando por um momento de falta de credibilidade no mercado internacional, o investidor não sabe se receberá de volta aquilo que investir. Por afugentar o investidor, há escassez de dólar, e o preço sobe”, disse.
O economista Marcelo Loyola alertou ainda para o risco de uma alta na inflação. “O dólar permanecendo muito tempo bem acima do que estava sendo praticado, vai haver um aumento de preços e pressão sobre a inflação. Alguns produtos da cesta básica já subiram significativamente. Agora, produtos como o trigo e eletrônicos, ficarão mais caros”, disse.
Governo passa a admitir recessão na economia
O Ministério da Economia reviu as previsões de queda no Produto Interno Bruto (PIB) este ano e agora prevê diminuição de -4,7%.
A recessão é prevista na maior parte do mundo por conta da pandemia do novo coronavírus e as projeções têm sido atualizadas com frequência para baixo.
A previsão oficial anterior, estimada no fim de março, apontava um crescimento de 0,02% no PIB brasileiro neste ano.
Segundo o estudo divulgado pela equipe econômica, o custo de paralisação da atividade econômica é de R$ 20 bilhões por semana ao Brasil.
Ao analisar o impacto no longo prazo, o texto afirma que “o risco de a crise sanitária se transformar em uma crise financeira teria consequências permanentes para o crescimento.”
“(Os países) que passaram pelas maiores quedas durante a recessão também sofreram as maiores quedas permanentes de produto”, afirmou o texto do Ministério da Economia.
Segundo o ministério, mesmo em um cenário mais otimista de recuperação em “V”, aquela na qual a retomada é tão rápida quanto a queda, o PIB brasileiro continuará em 2020 no campo negativo, com redução de -0,9%.
Já para 2021, a equipe econômica prevê um crescimento estimado em 3,20%.
DETALHES
Cotação comercial fechou a R$ 5,90
Novo recorde
> O dólar comercial fechou ontem em R$ 5,90, um novo recorde, com valorização de 0,61%, e acumula alta de mais de 47% este ano.
> Foi o terceiro avanço seguido e a moeda bateu pelo segundo dia o recorde nominal (sem considerar a inflação) de fechamento, desde a criação do Plano Real.
> Já o dólar turismo, comercializado em casas de câmbio e bancos, pode ser encontrado por até R$ 6,58, na modalidade cartão pré-pago.

> Segundo especialistas, a alta prolongada do dólar deve elevar os preços de produtos como a gasolina, que já vem recuperando preços após uma grande queda na demanda devido à pandemia da Covid-19.
> A petrobras anunciou ontem que o combustível ficará 10% mais caro nas refinarias.
> O preço médio ao consumidor final, segundo o site da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-ES), era ontem de R$ 3,86 o litro.
Inflação
> Como deixa as importações mais caras, a alta do dólar deve influenciar no preço de diversos produtos, pressionando a inflação a subir, segundo economistas.
Fonte: Fontes citadas na reportagem.