A autobiografia de Michelle Obama, “Minha História”, foi um dos grandes fenômenos de venda do mercado editorial do ano passado. Agora, a Netflix lança um documentário de mesmo nome em que acompanhamos a ex-primeira-dama dos Estados Unidos nos grandes eventos de divulgação do livro.

No prefácio do livro, Michelle diz ser inútil perguntarmos a uma criança o que quer ser quando crescer, como se crescer fosse finito, uma meta que se alcança e para ali.
Além de mostrar sua história de vida, de filha de uma família da classe trabalhadora de Chicago a moradora da Casa Branca, Michelle busca mostrar que é uma pessoa que existe e tem importância para além de seu marido ex-presidente dos EUA.
Assim como grande parte da humanidade agora pensa sobre a vida pós-pandemia e o novo normal, Michelle está ali lidando com suas memórias para criar, segundo ela diz, um novo caminho, já que voltar para o anterior, da vida antes da presidência de Barack Obama, não é possível.
Não fosse o enorme carisma e a inteligência da ex-primeira-dama, o documentário, que estreia amanhã e foi editado e sonorizado de forma tradicional e um pouco piegas, seria insuportavelmente mais um produto de autoajuda cheio de conselhos de empoderamento feminino.
Mas Michelle consegue transformar o filme numa reflexão sobre os anos Obama e numa crítica à era Trump, sem deixar de colocar o dedo em feridas, como quando reclama da abstenção de jovens progressistas, mulheres e negros nas urnas.