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Universitária tem vida nova graças à solidariedade

A solidariedade vai garantir vida nova para a universitária Rafaela Rocha, de 21 anos. Através das redes sociais, ela arrecadou R$ 25 mil em doações ...

Rafaela Rocha contou que se surpreendeu com resultado da campanha.

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A solidariedade vai garantir vida nova para a universitária Rafaela Rocha, de 21 anos. Através das redes sociais, ela arrecadou R$ 25 mil em doações em apenas 24 horas.

A estudante de Enfermagem, que teve a perna amputada, precisava de ajuda para adquirir uma prótese nova. A campanha online teve engajamento até de celebridades, como o promotor de eventos David Brasil e Paola Antonini, atleta que também teve a perna amputada.

Rafaela nasceu com hemimelia fibular, uma malformação que afeta a sustentação corporal. A condição prejudicava sua postura. A jovem desenvolveu escoliose séria que afetou os órgãos, com risco de atrofia, principalmente do útero.

Foi quando, aos 14 anos, após ter passado por sete cirurgias, ela decidiu amputar. “Mesmo com todas as manutenções, a minha prótese está ultrapassada e eu não consigo mais adaptá-la ao meu estilo de vida. E ainda a escoliose está voltando a piorar”, explica Rafaela.

Rafaela Rocha contou que se surpreendeu com resultado da campanha. (Foto: Leone Iglesias/AT)

Sem a ajuda, a aquisição não seria possível. A família dela vive em Manhuaçu (MG), mas a mãe está desempregada e a única renda da família vem do pai, que custeia a moradia da filha em Vila Velha há dois anos.

“A campanha tomou uma proporção que eu não imaginava. Me surpreendi muito! Ainda mais durante a pandemia, que não está fácil para ninguém”, emociona-se a jovem.

A hemimelia fibular é uma condição hereditária e congênita, ou seja, que nasce com o indivíduo, segundo o ortopedista, traumatologista e especialista em medicina esportiva Geraldo Lopes da Silveira.

O médico explica que cirurgias são alternativas para amenizar os problemas, mas frequentemente o resultado é insatisfatório e a amputação é indicada.

“O acompanhamento médico é necessário, pois a criança pode ter deficiência grave para o resto da vida. “Em consequência da deformidade postural, pode causar escoliose, que em alguns casos pode se tornar fixa”, disse. Após a amputação, o paciente passa por reabilitação com fisioterapia.

“Depois que amputei, eu me aceitei”

A Tribuna – Como foi descobrir que precisaria amputar a perna?

Rafaela Rocha – O primeiro médico, de Belo Horizonte, dizia que poderia resolver com cirurgias. Fiz sete para tentar desenvolver a fíbula (osso na parte inferior da perna), mas não deu certo. Meus pais então mudaram de médico e, aos 8 anos, passei a ser atendida em Cachoeiro de Itapemirim, onde foi dito que eu teria de amputar.

Com o passar o tempo, minha saúde foi se agravando. Tive escoliose. Meus órgãos estavam atrofiando e corria o risco de perder meu útero. Com apoio da minha família, aos 14 anos eu fiz o pedido de amputar. Foi a melhor decisão.

Como a amputação mudou a sua vida?

Antigamente eu usava uma órtese (aparelho que auxilia na funcionalidade) e tinha vergonha. Depois que amputei, eu me aceitei e comecei a usar short, saia, vestido. E a minha coluna se estabilizou.

Por que você precisa de uma prótese nova?

A minha prótese atual já tem sete anos de uso. Mesmo com todas as manutenções, está ultrapassada e com muitos defeitos. Agora preciso trocar porque só as manutenções já não bastam. E a escoliose está voltando a piorar.

Já tem previsão de quando terá a prótese nova?

Meu médico fará o pedido dos materiais utilizados para fazer a prótese, a maioria é importada. Espero que daqui três semanas eu já esteja com a prótese.

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