Enquanto, para uns, o “novo mundo” que se anuncia ainda é uma surpresa, o ator Julio Rocha, 40 anos, consegue ter a certeza de uma coisa: como vai preparar sua família para o futuro.
“Meus filhos serão criados para serem felizes com pouco, na simplicidade, no amor, no respeito ao próximo, e também para saberem lidar com as adversidades da vida”, salienta, em entrevista ao AT2, o pai de Eduardo, de 19 dias, e José, de um ano, filhos do ator com a veterinária Karoline Kleine.
Atualmente na reprise de “Fina Estampa” e na série “Sou Pai, e Agora?” (Globoplay), o paulista escreveu o monólogo “Missão Pai” durante a quarentena.
“Falo sobre gravidez, paternidade, família. Levei isso para o teatro, de uma forma despretensiosa e engraçada”, conta.
ENTREVISTA | Julio Rocha ator
“É a melhor fase da minha vida”
At2 Com bebê em casa, tem conseguido se ver na TV?
Julio Rocha A quarentena traz um ar de ociosidade por não sair de casa, mas eu não paro um segundo, especialmente, por causa dos bebês ou com necessidade e imprevistos que aparecem com a casa. É coisa que entope, motor do portão que queima etc… (Risos) Mas, mesmo assim, raramente perco a reprise de “Fina Estampa”.
Como foi a chegada do Eduardo?
Ele chegou para iluminar nossos dias, nossas vidas e para preencher ainda mais nosso tempo com um amor bem intenso. Tenho ficado mais com o José, que exige muita atenção. O Dudu mama livre demanda, então ele está praticamente o tempo todo com a Karol.
Ele chegou em um período de incertezas, nesta pandemia. Foram muitos medos?
Nós continuamos ainda hoje vivendo com muitos cuidados e disciplina total. Desde o início da quarentena. Abrimos mão de tudo para não arriscar nossa saúde. Trabalhamos nossa mente para não enviar nada negativo para o Dudu. Tentamos todos os dias sermos gratos.
O José está curtindo o irmão?
Eles não interagem muito ainda. Um nasceu agora. E José ainda nem fala, mas é muito expressivo. Ele tem demonstrado muito carinho com o irmão, através de sorrisos, no abraço, no beijo. É a melhor sensação do mundo!
Quando chegamos da maternidade, ele fingia que não via a Karol e o Eduardo, mas não aguentou muito tempo e se rendeu. Vou dar minha vida para que esses dois sempre se respeitem, se amem.
Falou sobre sua dedicação ao José, que inclui ir para a cozinha juntos.
Cresci com meus pais fazendo pães, receitas variadas e criativas. Apesar de eu não ter talento, as pessoas gostam quando cozinho. Eu só estou dando sequência na cozinha ao que sempre vivi: família junta na cozinha! (Risos)
O que mais tem feito? Tem transformado a casa em um grande palco?
O que eu posto é 1%! (Risos) Nós dançamos. Eu canto para ele, mostro meus clipes de música. Ele ama! Sempre estamos criando alguma coisa.
O José tem se desenvolvido muito e está crescendo com muita alegria. É o mínimo que posso oferecer como pai. Isso além de brincar o tempo todo, de cozinhar. Nós plantamos, cuidamos juntos dos nossos bichinhos. É a melhor fase da minha vida.
Bonitão, ator famoso, casado, pai. Qual sua melhor versão?
Amo meu trabalho, vim do teatro. Eu atuo, já dirigi, escrevo, produzo, componho música. Amo meu trabalho artístico! Mas a família é o meu maior tesouro. Nada me dá mais prazer que estar com eles.
Consegue enxergar mais ternura na humanidade hoje?
Enxergo a ternura, a malignidade, a bondade, o desafeto, a ignorância, a sabedoria. Vejo e sinto o melhor e o pior das pessoas. Sou muito realista e, dentro disso, sou positivo sempre. Não precisamos de muito para sermos felizes.
E não deixa de ser uma oportunidade para mudar…
Todos os dias, temos essa chance, mesmo antes da pandemia. Para mim, nada mudou. Sou a favor da família saudável, contra drogas, aborto, 101% a favor da liberdade.
Não acho, infelizmente, que a pandemia vá fazer as pessoas que são racistas deixarem de ser. Não acho que as pessoas estejam menos preconceituosas, menos corruptas.
Na minha opinião, a única forma de melhorarmos como humanidade é com pais sendo pais, para que nossos filhos consigam contribuir para mudanças, iluminando mais esse mundo. O brasileiro é o povo mais incrível do planeta!
E o “Amigas de Sorte”. Na trama, a mulherada dá rasteira nos maridos. No filme, você interpreta o Davi, marido da Susana Vieira. Acredito que não faltaram risadas na gravação.
As meninas do nosso filme, além de serem ícones, são almas mais do que iluminadas! Aprendi muito com elas, demos muita risada. Foram momentos inesquecíveis! Louco para ver o filme estrear.
E, quando tudo isso passar, já está se aquecendo para colocar em prática quais projetos?
Teatro. Também estou lendo alguns roteiros para cinema. Quero exercer minha profissão e farei isso com muito mais paixão, depois de tanto isolamento.
