
“Isso não me traz nenhum conforto porque ele foi condenado, mas essa justiça com ‘j’ minúsculo soltou ele. Eu sempre disse que todo óbito é lamentável, mas esse óbito só aconteceu porque ele estava solto. A justiça divina tem um limite”, comentou o pai.
O desejo do advogado era que o acusado de ser intermediário do assassinato do filho pagasse os 23 anos do qual foi condenado pelo crime. “Ele foi preso em 2003. Eu queria que ele fosse julgado, condenado e pagasse. A saída dele foi precoce. Ele tinha mais condenações do que a morte do meu filho. Fez a vida dele no tráfico. Com o currículo criminal que tinha, não deveria estar na rua. Muito mais importante que assassinarem um criminoso, é ele pagar pelo crime que cometeu e ele não pagou”.

Sobre o assassinato do filho, Alexandre conta que ainda espera, mesmo depois de 17 anos, que o mandante do crime seja condenado e preso: “Meu conforto será ver outro mandante condenado”.
Saiba mais
Crime em 2003
• Alexandre Martins de Castro Filho tinha 32 anos quando foi morto a tiros, em 24 de março de 2003, ao chegar a uma academia de ginástica, em Itapoã, Vila Velha. Ele integrava a missão especial federal que, desde julho de 2002, apurava ações do crime organizado no Estado.
• O coronel da reserva da PM Walter Gomes Ferreira foi condenado, em 2015, a 23 anos de prisão como mandante da morte do juiz. Já o ex-policial civil Claudio Luiz Andrade Baptista, o Calu, foi absolvido.
• O juiz Antônio Leopoldo Teixeira, também acusado de mando, ainda não foi julgado porque recursos em instâncias superiores aguardam ser analisados.
• Ferreira, Calu e Leopoldo foram acusados de fazer parte de um esquema de venda de sentenças investigado pelo juiz assassinado.
• Odessi Martins da Silva Júnior, o Lombrigão, e Giliarde Ferreira de Souza foram condenados por executar o juiz. Lombrigão está no semiaberto e Giliarde está em liberdade.
• Outros quatro acusados de serem intermediários no crime foram condenados.
• Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, foi acusado de ter indicado os pistoleiros para a execução do juiz. Foi condenado a 23 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, formação de quadrilha e pelo roubo da arma do magistrado, levada pelos executores. Estava solto desde novembro de 2019.
• Em 2003, Cabeção foi apontado pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) como mandante de, pelo menos, 13 assassinatos.
• Também foi denunciado como sendo o chefe do Primeiro Comando de Guaranhuns, em Vila Velha.
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