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Polícia

“Não me traz conforto”, diz pai de juiz sobre morte de Fernando Cabeção

Para o advogado Alexandre Martins de Castro, pai do juiz morto em 2003, a morte de Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, não traz ...

Alexandre Martins de Castro, pai do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto em 2003.

Última atualização

Alexandre Martins de Castro, pai do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto em 2003. (Foto: Mauricio Morais/Arquivo AT)Para o advogado Alexandre Martins de Castro, pai do juiz morto em 2003, a morte de Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, não traz conforto.

“Isso não me traz nenhum conforto porque ele foi condenado, mas essa justiça com ‘j’ minúsculo soltou ele. Eu sempre disse que todo óbito é lamentável, mas esse óbito só aconteceu porque ele estava solto. A justiça divina tem um limite”, comentou o pai.

O desejo do advogado era que o acusado de ser intermediário do assassinato do filho pagasse os 23 anos do qual foi condenado pelo crime. “Ele foi preso em 2003. Eu queria que ele fosse julgado, condenado e pagasse. A saída dele foi precoce. Ele tinha mais condenações do que a morte do meu filho. Fez a vida dele no tráfico. Com o currículo criminal que tinha, não deveria estar na rua. Muito mais importante que assassinarem um criminoso, é ele pagar pelo crime que cometeu e ele não pagou”.

Juiz Alexandre Martins (esq) e Fernando Cabeção (dir). (Foto: Arquivo AT)Para Alexandre, Cabeção sofreu com as mesmas armas que aplicou em outros. “Pelo jeito, ao sair da cadeia, ele retomou o lugar dele no tráfico. Com a sentença, não era para Fernando Cabeção estar solto, mas os tribunais amenizaram. Quando o criminoso sai da prisão, ele volta para o crime. Dificilmente é recuperado na prisão”, acrescentou o advogado.

Sobre o assassinato do filho, Alexandre conta que ainda espera, mesmo depois de 17 anos, que o mandante do crime seja condenado e preso: “Meu conforto será ver outro mandante condenado”.

Fernando Cabeção foi executado dentro de uma BMW prata, quando acessava a Terceira Ponte, em Itapuã. (Foto: Fábio Nunes/AT)

Saiba mais

Crime em 2003

• Alexandre Martins de Castro Filho tinha 32 anos quando foi morto a tiros, em 24 de março de 2003, ao chegar a uma academia de ginástica, em Itapoã, Vila Velha. Ele integrava a missão especial federal que, desde julho de 2002, apurava ações do crime organizado no Estado.

• O coronel da reserva da PM Walter Gomes Ferreira foi condenado, em 2015, a 23 anos de prisão como mandante da morte do juiz. Já o ex-policial civil Claudio Luiz Andrade Baptista, o Calu, foi absolvido.

• O juiz Antônio Leopoldo Teixeira, também acusado de mando, ainda não foi julgado porque recursos em instâncias superiores aguardam ser analisados.

• Ferreira, Calu e Leopoldo foram acusados de fazer parte de um esquema de venda de sentenças investigado pelo juiz assassinado.

• Odessi Martins da Silva Júnior, o Lombrigão, e Giliarde Ferreira de Souza foram condenados por executar o juiz. Lombrigão está no semiaberto e Giliarde está em liberdade.

• Outros quatro acusados de serem intermediários no crime foram condenados.

• Fernandes de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, foi acusado de ter indicado os pistoleiros para a execução do juiz. Foi condenado a 23 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, formação de quadrilha e pelo roubo da arma do magistrado, levada pelos executores. Estava solto desde novembro de 2019.

• Em 2003, Cabeção foi apontado pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) como mandante de, pelo menos, 13 assassinatos.

• Também foi denunciado como sendo o chefe do Primeiro Comando de Guaranhuns, em Vila Velha.
 

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