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“Não tenho mais paz”, diz morador de Manguinhos

A erosão causada pela ressaca do mar em Manguinhos, na Serra, continua preocupando e, principalmente, prejudicando moradores da região. Na última ...

Renato mostra destruição causada em sua casa pela ressaca do mar

Última atualização

Renato mostra destruição causada em sua casa pela ressaca do mar (Foto: Fábio Nunes/ AT)A erosão causada pela ressaca do mar em Manguinhos, na Serra, continua preocupando e, principalmente, prejudicando moradores da região. Na última sexta-feira, as fortes ondas derrubaram postes, muros de casas e chegaram a destruir ruas.

Um dos moradores que teve a casa prejudicada é o conferente Renato Oliveira Alves, de 33 anos. Ele, a mulher, que está grávida de 8 meses, e mais dois filhos, de 2 e 7 anos, estão praticamente presos dentro de casa, já que, com a força das ondas, uma parte do muro da residência caiu.

“Minha casa só tem uma saída, que é a da praia. Como o muro caiu, estamos ilhados, presos dentro de casa, praticamente. Se eu precisar sair, tenho de passar pela casa do vizinho”, contou.

Ele relatou ainda que as ruas também foram afetadas e que os carros não conseguem passar pelo local. Toda a família está assustada e com medo de uma nova ressaca. “Eu não durmo direito, a paz acabou. Eu e toda minha família. Fico com medo de ter outra ressaca como a de sexta-feira, e ela acabar com tudo”, disse.

Renato citou também que está há cinco dias sem água, já que parte do muro caiu em cima do relógio, e que a comida da família está sendo feita com a ajuda dos vizinhos. “Estão sendo muito solidários. Eu pego água na casa deles e minha esposa faz a comida. O nosso banho também está sendo garantido por eles”.

Segundo o presidente da Associação de Moradores de Manguinhos, Guilherme Lima, além da família de Renato, outras duas famílias tiveram problemas com a ressaca do mar.

“Uma perdeu a cerca; a outra, o padrão de energia. A casa do Renato foi um pouco mais grave, já que o muro caiu, e tudo isso com a força da maré. Há mais de 30 anos ninguém viu uma maré tão alta, comentou.

O professor de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Luiz Fernando Schettino disse que há alguns fatores que podem estar afetando e acelerando a erosão do local.

“Mudanças climáticas podem afetar a ocupação irregular da costa. Também influenciam muito e é possível que anormalidades climáticas ou de correntes do mar causem esses estragos. É preciso monitoramento”, destacou.

Prefeitura promete obra para agosto

As obras para engordamento da faixa de areia da praia de Manguinhos vão começar em agosto. Foi o que informou a secretária de Meio Ambiente da Serra, Áurea Almeida.

“Estamos na fase de licitação. Os projetos já estão com a Secretaria de Obras, que está fazendo os procedimentos licitatórios”.

Segundo a secretária, o projeto que dará solução para os problemas dos moradores prevê aproximadamente 15 metros de faixa de areia para cerca de 500 metros da praia. Além disso, o local receberá fortalecimento de restinga.

Manguinhos, na Serra: moradores temem que o mar destrua as casas (Foto: Dayana Souza/ AT)

Para o engordamento, de acordo com Áurea, serão utilizadas jazidas terrestres, retiradas de Jacaraípe, com as mesmas características da areia de Manguinhos.

A secretária disse que as variações climáticas, ocorridas no último final de semana, acabaram contribuindo para a formação da ressaca e que a prefeitura já esteve no local promovendo intercessões.

Sobre a queda do muro que continua bloqueando o acesso à casa de uma família, em Manguinhos, a secretária afirmou que equipe da prefeitura esteve ontem no local para resolver o problema

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