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Aumenta busca por cirurgia e remédio para perder peso

Um dos fatores de risco para mortalidade em pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) é a obesidade. Por se tratar de uma comorbidade ...

“Estou recuperando a autoestima e muito feliz”, disse a assistente social Jessica Pirola Dias, de 36 anos

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Um dos fatores de risco para mortalidade em pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) é a obesidade. Por se tratar de uma comorbidade que agrava o quadro dos infectados, médicos registraram aumento na procura por tratamentos e cirurgias para perder peso e ter mais saúde.

A analista administrativa Sirlene Kopp, de 41 anos, por exemplo, está há uma semana fazendo tratamento com o medicamento liraglutida, além de ter adotado dieta e atividades físicas, após consulta médica.

“No começo da pandemia, eu comia chips, muito chocolate e biscoito recheado. Percebi que minha família também estava engordando e resolvi mudar meus hábitos e buscar saúde”, contou.

“Estou recuperando a autoestima e muito feliz”, disse a assistente social Jessica Pirola Dias, de 36 anos (Foto: Kadidja Fernandes/AT)Os perigos da covid-19 para pessoas obesas levou a assistente social Jessica Pirola Dias, de 36 anos, a buscar pela cirurgia bariátrica.

Ela conta que sempre teve vontade de fazer a cirurgia e que já perdeu 14 quilos, em menos de dois meses do procedimento, realizado no dia 20 de julho.

Jessica pesava 98,8 quilos e agora está com 85 kg. “Eu passei por um problema pessoal e, com isso, engordei 30 quilos, durante 12 anos. Passei esses anos emagrecendo e engordando”, contou.

“Fiquei muito preocupada quando soube que a obesidade era um fator de risco para covid, já que tenho um bebê de 1 ano e 5 meses. Além da dieta e de exercícios, estou recuperando a autoestima. Estou muito feliz”.

Casos como esse estão mais comuns nos últimos dois meses, segundo o presidente da Sociedade de Endoscopia Digestiva no Estado, João de Siqueira Neto.

O tema será debatido no II Congresso Capixaba do Aparelho Digestivo, que acontece amanhã e quinta-feira, de forma online.

“Os dois principais fatores de risco para desfecho desfavorável para mortalidade em pacientes com covid é a idade avançada e a obesidade. Como a obesidade é o único fator prevenível, consideramos como principal fator de risco. O paciente obeso pode tratar e emagrecer. Já a idade não tem como reverter”, explicou o médico.

O cirurgião do aparelho digestivo Gustavo Peixoto reforça que a alta taxa de mortalidade pela Covid em obesos mórbidos “despertou a consciência desses pacientes de que estão doentes de verdade”.

Segundo o nutrólogo Roger Bongestab, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a obesidade como fator de risco e jovens obesos morreram de Covid, muitas pessoas buscaram uma mudança no estilo de vida.

Ele pontua que, antes da cirurgia, outras terapias são indicadas. “Seguimos à risca o que está na portaria do Ministério da Saúde. O paciente tem de ter feito tratamento clínico e ter tido falência desse tratamento para que a cirurgia seja indicada”.

Outro fato observado é que pacientes na fila para cirurgia bariátrica acabaram ganhando peso durante a pandemia, segundo o cirurgião bariátrico e do aparelho digestivo Tarcísio Zovico, da comissão organizadora do congresso.

“A cirurgia é parte de um processo. Ela poderá se perder com o tempo. Por isso, precisa de acompanhamento clínico, psicológico, nutricional e atividade física, para não comprometer o resultado”, destacou.

“Obesidade é pandemia”

Uma expressão usada com frequência nos últimos tempos é “gordinho saudável”. Porém, médicos são categóricos: não existe pessoa saudável acima do peso. Além disto, a obesidade já é considerada uma pandemia.

“Existe paciente acima do peso com obesidade grave ou que esteja acima do peso com obesidade leve. Esse termo ‘gordinho saudável’ não existe”, afirmou o cirurgião do aparelho digestivo e endoscopista digestivo João de Siqueira Neto.

O médico, que também é presidente da Sociedade de Endoscopia Digestiva no Estado, explicou que um paciente de 20 anos com obesidade leve, diabetes e pressão alta é um caso grave.

“Já o paciente de 20 anos, muito obeso, mas sem doença, não é grave ainda. Porém, precisa de tratamento porque, em poucos meses ou anos, vão aparecer as doenças decorrentes da obesidade. Se está acima do peso, precisa se tratar”.

Coordenador do serviço de bariátrica do Hospital Evangélico, o cirurgião Tarcísio Zovico destacou que a obesidade é uma doença frequente, acomete todas as faixas etárias e sexos, sendo que o número de pacientes obesos é grande.

“O Brasil é o segundo país no mundo que mais realiza cirurgia bariátrica. A obesidade, assim como a Covid, é uma pandemia, pois afeta o mundo todo”.

O nutrólogo Roger Bongestab alerta que mais de 52% da população mundial estão acima do peso. Já entre as crianças, 18% estão com sobrepeso ou obesidade.


OPINIÕES


Os médicos, Dr.João de Siqueira Neto e Dr.Tarcísio Zovico (Foto: Dayana Souza - 11/07/2019 )

“A obesidade também é uma pandemia. É extremamente séria, e muito comum”, João de Siqueira Neto, cirurgião do aparelho digestivo e endoscopista

“A quantidade de pacientes obesos que precisa ser tratada é imensa. Muitos têm a indicação de cirurgia”, Tarcísio Zovico, cirurgião bariátrico e do aparelho digestivo

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